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18/07/2015

FOLCLORE PARANAENSE






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As lendas contam histórias sobre o Paraná de uma forma bem antiga, muitas dessas bem intrigantes que atiçam a curiosidade de conhecer os lugares onde se passou a história, dando uma magia aos pontos turísticos do estado.

A mais conhecida é a lenda da Naipi e Tarobá, além da lenda da Gralha Azul, do Véu da Noiva, de Vila Velha e outras.

As lendas ajudam a passar a cultura regional às novas gerações, e mostram as belezas de nosso estado de uma forma bem descontraída e gostosa de ouvir, aumentando a curiosidade pela nossa história e o nosso folclore.

Lendas:


NAIPI E TAROBÁ


A lenda conta que na tribo de M’Boi (Serpente), às margens do rio Iguaçu, a bela índia Naipi ia ser consagrada a esse terrível deus tapuia, por seu pai, o grão-sacerdote. Todas as tribos iriam comparecer à consagração ao tal deus que protege as donzelas contra os amores falsos.

No entanto, Tarobá, valente guerreiro caigangue, irrompia pela mata em direção às terras onde os festejos estavam sendo preparados. Pretendia salvar sua amada do triste destino. Ficou à espreita até que uma nuvem ocultou a luz da lua, e então os dois fugiram. Todos os índios foram fazer o cerco dos fujões.

M’Boi, embriagado, louco por vingança, enterrou-se até o pescoço em pleno rio, e, contraindo seus músculos foi forçando a terra ao redor, criando montanhas e abismos.

Naipi, que estava na água, acabou sendo jogada nesse abismo.

Hoje, é ela quem faz a espuma colorida do Salto União, enquanto Tarobá, convertido em árvore, fica contemplando sua amada, cuja imagem os índios têm como a da mulher de cabelos de fogo, nua e muito bela.



GRALHA AZUL





Era madrugada, o sol não demoraria a nascer e a gralha ainda estava acomodada no galho amigo onde dormira à noite, quando ouviu a batida aguda do machado e o gemido surdo do pinheiro. Lá estava o machadeiro golpeando a árvore para transformá-la em tábuas.

A gralha acordou. As pancadas repetidas pareciam repercutir em seu coração. Num momento de desespero e simpatia, partiu em vôo vertical, subiu muito além das nuvens para não ouvir mais os estertores do pinheiro amigo.

Lá nas alturas, escutou uma voz cheia de ternura: – Ainda bem que as aves se revoltam com as dores alheias.

A gralha subiu ainda mais, na imensidão. Novamente a mesma voz a ela se dirigiu:
– Volte avezinha bondosa, voe novamente para os pinheirais. De hoje em diante, Eu a vestirei de azul, da cor deste céu e, ao voltar ao Paraná, você vai ser minha ajudante, vai plantar os pinheirais.

O pinheiro é o símbolo da fraternidade. Ao comer o pinhão, tira-lhe primeiramente a cabeça, para depois, a bicadas, abrir-lhe a casca.

Nunca esquece de antes de terminar o seu repasto, enterrar alguns pinhões com a ponta para cima, já sem cabeça, para que podridão não destrua o novo pinheiro que dali nascerá.

“Do pinheiro nasce à pinha, da pinha nasce o pinhão… Pinhão que alegra nossas festas, onde o regozijo barulhento é como um bando de gralhas azuis matracando nos galhos altaneiros dos pinheirais do Paraná. Seus galhos são braços abertos, permanentemente abertos, repetindo às auras que o embalam o meu convite eterno: Vinde a mim todos…”

A gralha por uns instantes atingiu as alturas. Que surpresa! Onde seus olhos conseguiam ver o seu próprio corpo, observou que estava todo azul. Somente ao redor da cabeça, onde não enxergava, continuou preto. Sim preto, porque ela é um corvídeo.

Ao ver a beleza de suas penas da cor do céu, voltou célere para os pinheirais. Tão alegre ficou que seu canto passou a ser um verdadeiro alarido que mais parece com vozes de crianças brincando.

Francieli Bado





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