
Salve a justiça, saaalve
salve a liberdade, saaalve
Saravá o cativeiro, Saravá
Saravá o pai..., Saravá
ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
ôôôô
Já fui preso na senzala apanhei de ferro quente,
ja subi de morro a cima e tinha a perna doente. ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
conversava com a Lua e a Estrela respondia,
tem paciência meu velho, cativeiro acaba um dia. ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
preto andava sem dinheiro, e não tinha paletó,
toda roupa que ganhava só era farrapo e só. ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
eu cantei minha toada, o que foi meu padecer,
por que esse preto tem, um conselho pra você. ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
preto velho é chamado pra casa de seu doutor,
para beber vinho fino e ganhar ramos de flor. ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
preto hoje tem anel, tem diploma e tem galão,
na alta sociedade o branco lhe estende a mão. ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
preto já casa com branca porque viram o seu valor,
e a sogra ainda diz que ele é preto só na cor. ôôôô
Mas acabôôôô
cativeiro acabôôôô
https://www.youtube.com/watch?v=Bo4Ze-4qlqE.
- Adorei as Almas! Salve os Pretos Velhos!
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Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.
Machado de Assis
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Eis-me resignado.
Fugi de tudo que fui
e pelo caminho de minha renúncia
venho buscar bandeiras novas.
Agora persigo a palavra nova
por eles que esperam com o coração amargo
e o grito dentro do coração.
Não poderei aceitar o silêncio
e ficar em paz com a morte dos desgraçados
caídos sem voz em nossa porta.
As crianças minhas morreram todas,
Possuo cada vontade, cada medo, cada ternura morta
e vou surgindo novo entre lenços brancos
agitados de dor pela mão dos homens.
José Carlos Capinam
In: CAPINAN. Inquisitorial.
Introdução de José Guilherme Merquior. 2. ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. p.8

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Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
"De amigos a gente não cobra presença, cobra saudade..." - Carlos Mauricio
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Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nois
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus...
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração...
E se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Eu tenho que subir aos céus
Sem cordas prá segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar!
Se eu quiser falar com Deus!
Elis Regina
Oya é chamada T'okan Odara, o bom coração.Oyá amava Sango, mesmo com a vida conturbada ela o amava, e o amava muito.Ela se relacionou com muitos Orisas, mas somente Sango tinha seu amor.Sango não era o Rei legítimo da cidade de Oyó e quando Ajaká vem para recuperar seu lugar e destronar Sango, ele se desespera pois sabia que o seu destino seria ser tratado como um ladrão.Sango prefere a morte do que a humilhação, e então se suicida se enforcando em um pé de Obí.Oyá Perdeu seu grande amor.Ela então tenta de todas as formas encontrar a alma de Sango em algum dos Nove Oruns que ela comandava, mas a alma de um suicida nao tem rumo, ela nao O achou.Oya havia ganhado um Asé, sua comida Akará (Acarajé), o bolinho de feijão frito em azeite de dendê que Ela abençoava e seus filhos comiam em honra ao ato de Oya engolir brasas.O Akara é o símbolo de Oya.Oya então faz um Akará branco, frito em oleo claro, e junta os bolinhos em um cesto junto com suas folhas e sobe no topo de um monte.Oya iria oferecer o seu Ase para Olodumare, grande Deus.Em meio as lagrimas ela implorou a Olodumare que deixasse ela ver Sango pelo menos uma vez mais, ela entregaria tudo que tinha e tudo que Ela era para poder ver Sango.Olodumare nunca havia visto um Orisa se humilhar daquele jeito. Oya estava oferecendo todo seu Ase em troca de estar com Sango por mais um momento.Oya não parava de chorar e implorar, seus desespero causou um sentimento de compaixão em Olodumare.Olodumare então disse a Oya:"Acalme-se Ayaba! Nunca houve um amor como este em todo o Orum e em todo o Ayê! Oya é bendita por ter tanto amor dentro de si, e Sango será bendito por ter sido agraciado com tanto amor."Olodumare trouxe Sango do mundo dos mortos e lhe devolveu a vida e o Ase de Orisa.Graças a Oya Sango voltou a ser Orisa.Agora Sango ama somente a Oya e ela o ama com todas as suas forças.Nas trovoadas eles dançam juntos sobre as nuvens escuras.Oyá é feita de amor.Os candomblés que cultuam Oya oferecem e ela uma grande festa no mês de setembro chamada Akará L'Oya.Nesta festividade se louva Oya em todas suas ações, e então umas das últimas cantigas relatam a história contada aqui.Se canta:
"OYA AGBA MI SORO MI SORO Ê
AKARA FUNFUN EBÓ EMI ARÊ
OYA AGBA MI SORO MI SORO Ê
AKARA FUNFUN EBÓ EMI ARÊ
TOKAN TOKAN
ELENU Ê
OJÉ MALA OJE ARÊ
TOKAN TOKAN
OBA KO SO NITA WE SE ARÊ"Quando uma filha de Oya sofre por amor, Oya a entende e a conforta.Oya é a Ayaba do bom coração.EPARREY OYÁ! OLHA O TEMPO, MINHA MÃE!- Peço a Vossa benção, minha Mãe!Ponto cantado de saudação:https://www.youtube.com/watch?v=tWlomU0J3EU
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O bom terapeuta é aquele que ouve o que o paciente não diz. É que, nem sempre queremos dizer o que precisamos e, por isso, necessitamos de alguém que nos compreenda sem o auxílio das palavras.
Talvez seja essa a razão de os verdadeiros amantes não carecerem de palavras para se compreenderem. Basta que se olhem e a comunicação já acontece. É que os olhos revelam coisas que as palavras não são capazes de revelar.
Por isso, a terapia deveria ser mais silêncio do que fala. Porque o que me revela é o que está oculto, é o que não passa pela linguagem conceitual e que, silenciosamente, repousa em mim esperando por revelação.
Terapia é volta no tempo, é retorno ao lugar do silêncio e da palavra mal dita. É a oportunidade de recolher os cacos do vaso que caiu das nossas mãos.
O vaso caiu porque as minhas mãos eram pequenas e não puderam segurá-lo. Hoje, elas estão mais crescidas, mais fortalecidas e assim posso reviver a situação, dando-lhe novo significado. É dessa forma que o vaso deixa de incomodar: pelo poder do retorno terapêutico.
Volto encorajado pelo olhar que me olha e me diz. «Pode ir, eu estou consigo!»
Amar talvez seja isto: encontrar alguém que torne mais fácil o acesso a nós mesmos.
Pe Fábio de Melo, in: "Tempo: saudades e esquecimentos"
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