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06/04/2012

Objeto do Estudo: ASTECAS > ( Mais Completo )





Visão Frontal Planície de Yucatán/México: Império ASTECA


Os Astecas (Império Pré-Colombiano) viveram aproximadamente de 1.325 a.C. a 1.521 d.C. na região da América do Norte, mais especificamente entre o México e América Central.

Os povos que ficaram conhecidos com o nome de Astecas têm uma origem obscura e reuniram-se no país de Anahuac ou México. Tenochtitlán (hoje México) foi a grande cidade asteca, local escolhido para a fixação dos últimos Nauas originários de Aztlán (Norte do actual México) ao cabo de uma longuíssima migração iniciada no século X a partir do Norte e que só terminaria no século XIV. No século XIII, uma das paragens foi em Chapúltepec, terras disputadas por várias tribos, para depois serem expulsos já no século XIV pelos povos vizinhos. Depois de um período errante no vale sempre marcado por lutas entre os diferentes povos, refugiam-se com maior segurança numa ilha no meio de um imenso lago, o Texcoco, onde já habitavam populações autóctones. Era um local de habitabilidade difícil, mas com uma localização estratégica magnífica.

Procederam à drenagem do pântano em volta, proporcionando acessos e terrenos férteis propícios à agricultura.

Os atuais povos indígenas do México (alguns historiadores dizem que é a atual população Mexicana), são descendentes dos Astecas. Abaixo segue resumo desta civilização:


História ASTECA (AZTECA)


Continente
América Central
Capital

Tenochitlan

Língua Oficial

Náuatle

Religião

Asteca

Governo Tlatoani

Monarquia


• 1376–1395

Acamapichtli

• 1520–1521

Cuauhtémoc

História Tenochitlan


1.325

Conquista do Império Asteca

1.521

Moeda

Várias


♦Expansão do Império ASTECA


Abrangência do Império ASTECA (AZTECA)


Até o século XIII, na porção noroeste do México, observamos a presença de uma pequena tribo seminômade na região Aztlan. Por razões históricas não muito bem esclarecidas, essa população decidiu se deslocar para a direção sul, até alcançar o território do lago Texcoco, no vale do México. Após derrotar algumas populações que dominavam a região, este povo foi responsável pela criação da civilização asteca.

Ao longo de dois séculos de dominação, os astecas formaram um imponente império contendo mais de quinhentas cidades e abrigando mais de quinze milhões de habitantes. Nesse processo de deslocamento, também é importante falar sobre o estabelecimento da agricultura como atividade econômica fundamental. Graças à agricultura, os astecas tornaram-se uma numerosa civilização.

Os Astecas (1325 até 1521: a forma Azteca também é usada) foram uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território correspondente ao atual México.

Na sucessão de povos mesoamericanos que deram origem a essa civilização destacam-se os toltecas, por suas conquistas civilizatórias, florescendo entre o século X e o século XII seguidos pelos chichimecas imediatamente anteriores e praticamente fundadores do Império Asteca com a queda do Império Tolteca.

O idioma asteca era o nahuatl.
Os astecas foram derrotados e sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis, comandados por Fernando Cortez.



Cerco de Tenochtitlan


♦ História


O controle político do populoso e fértil vale do México ficou confuso após 1100. Gradualmente, os astecas, uma tribo do norte, assumiram o poder depois de 1200. Os astecas eram um povo indígena da América do Norte, pertencente ao grupo nahua. Os astecas também podem ser chamados de mexicas (daí México).

Migraram para o vale do México (ou Anahuác) no princípio do século XIII e assentaram-se, inicialmente, na maior ilha do lago de Texcoco (depois todo drenado pelos espanhóis), seguindo instruções de seus deuses para se fixarem onde vissem uma águia pousada em um Catco, devorando uma Cobra.

A partir dessa base formaram uma aliança com duas outras cidades – Texcoco e Tlacopán – contra Atzcapotzalco, derrotaram-no e continuaram a conquistar outras cidades do vale durante o século XV, quando controlavam todo o centro do México como um Império ou Confederação Asteca, cuja base econômico-política era o modo de produção tributário. No princípio do século XVI, seus domínios se estendiam de costa a costa, tendo ao norte os desertos e ao sul o território Maia.




Centro de Estudo Astronômico ASTECA – Planície de Yucatán


Os Astecas, que atingiram alto grau de sofisticação tecnológica e cultural, eram governados por uma monarquia eletiva, e organizavam-se em diversas classes sociais, tais como nobres, sacerdotes, guerreiros, comerciantes e escravos, além de possuírem uma escrita pictográfica e dois calendários (atronômico e litúrgico).




Calendário Asteca


Ao estudar a cultura asteca, deve-se prestar especial atenção a três aspectos: a religião, que demandava sacrifícios humanos em larga escala, particularmente ao Deus da guerra, Huitzilopochtli; a tecnologia avançada, como a utilização eficiente das chinampas (ilhas artificiais construídas no lago, com canais divisórios) e a vasta rede de comércio e sistema de administração tributária.

O Brasão de armas mexicano mostrando o sinal para a fundação da capital asteca, abaixo representado, prediz ―Que Império Asteca‖ era formado por uma organização estatal que se sobrepôs militarmente a diversos povos e comunidades na Meso-América.

Segundo Jorge Luis Ferreira, os astecas possuíam uma superioridade cultural e isso justificaria sua hegemonia política sobre as inúmeras comunidades nestas regiões, o que era argumentado por eles mesmos.




Brasão de Armas Mexicano


No período anterior a sua expansão os astecas estavam no mesmo estágio cultural de seus vizinhos de outras etnias. Por um processo muito específico, numa expansão rápida, passaram a subjugar, dominar e tributar os povos das redondezas, outrora seus iguais. É importante lembrar estes aspectos pelo fato de terem se tornado dominantes por uma expansão militar, e não por uma suposta sofisticação cultural própria e autônoma.




Guerreiro Jaguar ASTECA


O ―Guerreiro-jaguar‖ do ―Codex Magliabecchiano‖. O jaguar desempenhava um papel cultural na mitologia Asteca muito importante. Ele representava poder e dominação sobre o povo.
―Alguns cienteistas‖ dizem que, apesar de sacrifícios humanos serem uma prática constante e muito antiga na Mesoamérica, os Astecas se destacaram por fazer deles um pilar de sua sociedade e religião. Segundo mitos Astecas, sangue humano era necessário ao ―Deus Sol‖, como alimento, para que o astro pudesse nascer a cada dia e, para tanto, os Sacrifícios humanos eram realizados em grande escala. Algumas centenas, eram realizados em um dia só, e não eram, portanto, incomum.
―Dizem alguns cientistas‖ que os corações eram arrancados de vítimas vivas, e levantados ao céu em honra aos deuses. Os sacrifícios eram conduzidos do alto de pirâmides para estar perto dos deuses e o sangue escorria pelos degraus. A economia asteca estava baseada primordialmente no milho, e as pessoas acreditavam que as colheitas dependiam de provisão regular de sangue por meio dos sacrifícios.
Durante os tempos de paz, "guerras" eram realizadas como campeonatos de coragem e de habilidades de guerreiros, e com o intuito de capturar mais vítimas. Eles lutavam com clavas de madeira para mutilar e atordoar, e não matar. Quando lutavam para matar, colocava-se nas clavas uma lâmina de obsidiana. Sua civilização teve um fim abrupto com a chegada dos espanhóis no começo do século XVI. Tornaram-se aliados de Cortés em 1519. O governante Asteca Montezuma II considerou o conquistador espanhol a personificação do Deus Quetzalcóatl, e não soube avaliar o perigo que seu reino corria. Ele recebeu Cortés amigavelmente, mas posteriormente o ―Tlatoani” foi tomado como refém. Em 1520 houve uma revolta Asteca e Montezuma II foi assassinado.
Seu sucessor, Cuauhtémoc (filho do irmão de Montezuma), o último governante asteca, resistiu aos invasores, mas em 1521 Cortés sitiou Tenochtitlán e subjugou o império. Muitos povos não-astecas, submetidos à Confederação, se uniram aos conquistadores contra os Astecas.


♦A Sociedade




Símbolo do Guerreiro Águia


Imagem totem de um guerreiro águia, que junto com o guerreiro-jaguar, compuseram primordialmente as elites de guerra do antigo Império Asteca. A sociedade asteca era rigidamente dividida. O grupo social dos pipiltin (nobreza) era formada pela família real, sacerdotes, chefes de grupos guerreiros — como os Jaguares e as Águias — e chefes dos Calpulli. Podiam participar também alguns pebleus (macehualtin) que tivessem realizado algum ato extraordinário. Tomar chocolate quente (xocoatl) era um privilégio da nobreza. O resto da população era constituída de lavradores e artesãos. Havia, também, escravos (tlacotin).

Havia, na ordem, começando do plano mais baixo:

♦ Escravos;

♦ Maceuali ou Calpulli (membro do clã);

♦ Artesão e Comerciantes;

♦ Pochtecas (grandes comerciantes);

♦ Sacerdotes, dignitários civis e militares.

♦O Imperador

Os imperadores astecas em língua Nahuatl eram chamados Hueyi Tlatoani ("O Grande Orador"), termo também usado para designar os governantes das altepetl (cidades). Os imperadores astecas foram os maiores responsáveis tanto pelo crescimento do império, como para a decadência do mesmo. Ahuizotl, por exemplo, foi ao mesmo tempo o imperador mais cruel e o responsável pela maior expansão do império. Já Montezuma II (ou Moctezuma II), tendo sido um imperador justo e pacifico, foi também fraco em suas decisões, permitindo que os espanhóis entrassem em seus domínios, mesmo após a circulação de histórias de que estes teriam massacrado tribos, abalando fatalmente a solidez de seu império, e finalmente degenerando na sua extinção.

A sucessão dos imperadores astecas não era hereditária de pai para filho, sendo estes eleitos por um consenso entre os membros da nobreza.






Montezuma (ou Moctezuma) II


Abaixo, seguem os períodos de governo dos Imperadores Astecas:


IMPERADOR ASTECA



- ANO INÍCIO
- ANO TÉRMINO
- ANOS NO PODER


Acamapichitli


1376
1395
19

Huitzilíhuitl


1395
1417
22

Chimalpopoca


1417
1427
10

Itzcóatl


1427
1440
13

Montezuma


1440
1469
29

Axayacatl


1469
1481
12

Tízoc


1481
1486
5

Ahuizotl


1486
1502
16

Montezuma II


1502
1520
18

Cuitláhuac


1520
1520
0

Cuauhtémoc


1520
1521 

1
__________________

♦ A Religião


Eram politeístas (acreditavam em vários deuses) e acreditavam que se o sangue humano não fosse oferecido ao Sol, a engrenagem do mundo deixaria de funcionar.

Os sacrifícios eram dedicados a:

♦ Huitzilopochtli ou Tezcatlipoca: o sacrificado era colocado em uma pedra por quatro sacerdotes, e um quinto sacerdote extraía, com uma faca, o coração do guerreiro vivo para alimentar seu Deus;

♦ Tlaloc: anualmente eram sacrificadas crianças no cume da montanha. Acreditava-se que quanto mais as crianças chorassem, mais chuva o Deus proveria.




“Possivel” registro de Sacrifício humano


No seu panteão havia centenas de deuses. Os principais eram vinculados ao ciclo solar e à atividade agrícola, da qual dependiam. Observações astronômicas e estudo dos calendários faziam parte do conhecimento dos sacerdotes. O Deus mais venerado era Quetzalcóatl, a serpente emplumada. Os sacerdotes formavam um poderoso grupo social, encarregado de orientar a educação dos nobres, fazer previsões e dirigir as cerimônias rituais. A religiosidade asteca incluía a prática de sacrifícios. Segundo o divulgado pelos conquistadores o derramamento de sangue e a oferenda do coração de animais e de seres humanos eram ritos imprescindíveis para satisfazer os deuses, contudo se considerarmos a relação da religião com a medicina encontraremos um sem número de ritos.

Há referências a um Deus sem face, invisível e impalpável, desprovido de história mítica para quem o rei de Texoco, Nezaucoyoatl, mandou fazer um templo sem ídolos, apenas uma torre. Esse rei o definia como "aquele, graças a quem nós vivemos".
 


 A Medicina

Apresenta-se como teoricamente estruturado, com formação específica (o aprendizado das diversas funções da classe sacerdotal), o relativo conhecimento de anatomia (comparado com sistemas etnomédicos de índios dos desertos americanos ou florestas tropicais) em função, talvez, da prática de sacrifícios humanos mas não necessariamente dependente dessa condição.

Há evidências que soldavam fraturas e punham talas em ossos quebrados. A dinâmica vital da relação tonal (Tonalli) – nagual (Naualli) ou explicações do efeito de plantas medicinais são pouco conhecidos, contudo o sistema de intervenções terapêuticas através de plantas medicinais, dietas e ritos são evidentes.

A doutrina médica tradicional por sua vez, também não é bem conhecida. No sistema diagnóstico encontramos quatro causas básicas: Introdução de corpo estranho por feitiçaria; Agressões sofridas ao duplo (nagual); Agressões ou perda do tonal; e influências nefastas de espíritos (ares).

Em relação a esse conjunto de patologias, os deuses representavam simultaneamente uma categoria de análise de causa e possibilidade de intervenção por sua intercessão. Tlaloc estava associado aos ares e doenças do frio e da pele (úlceras e lepra) e hidropsia; Ciuapipiltin às convulsões e paralisia;Tlazolteotl às doenças do amor que inclusive causavam a morte (tlazolmiquiztli ); Ixtlilton curava as crianças; Lume, ajudava as parturientes; Xipe Totec era o responsável pelas oftalmias.




Xipe Totec


A Imagem de Xipe Totec no calendário Tonalamatl, apresenta um total de 260 dias, para o período anual.




Estátua de Tlatoc


Estátua de Tlaloc nas imediações do Museu Nacional de Antropologia e História, na Cidade do México. A Antropologia Médica situa o conhecimento mítico-religioso como forma de racionalidade médica se este se constitui como um sistema lógico e teoricamente estruturado, que preencha como condições necessárias e suficientes os seguintes elementos:

♦ Uma morfologia (concepção anatômica);

♦ Uma dinâmica vital ( "fisiologia");

♦ Um sistema de diagnósticos;

♦ Um sistema de intervenções terapêuticas;

♦ Uma doutrina médica (cosmologia).

Pelo menos parcialmente, o sistema Asteca preenche tais requisitos.

♦ Plantas e técnicas

O tabaco e o incenso vegetal (copalli) estava presente em suas práticas. Seus ticitl (médicos feiticeiros) em nome dos deuses realizavam ritos de cura com plantas que contém substâncias psicodélicas (Lophophora willamsii ou peiote; Psylocybe mexicana, Stropharia cubensis - cogumelos com psilocibina; Ipomoea violacea e Rivea coribosa - oololiuhqui) que ensinam a causa das doenças, mostram a presença de tonal (tonalli), e sofrimentos infligidos ao duplo animal ou nagual (naualli) os casos de enfeitiçamento ou castigo dos deuses.

Entre os remédios mais conhecidos estava a alimentação dos doentes com dietas a base de milho, passiflora (quanenepilli), o bálsamo do peru, a raiz de jalapa, a salsaparrilha (iztacpatli / psoralea) a valeriana entre centenas de ervas utilizadas.




Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis


O Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis (em latim "Pequeno Livro das Ervas Medicinais dos Índios") é um manuscrito que descreve as propriedades medicinais de várias plantas usadas pelos Astecas. Foi traduzido para latim por Juan Badiano, a partir dum original em nauatle produzido em Tlatelolco em 1552 por Martín de la Cruz, o qual já não existe. Também conhecido como códice Badiano, códice Cruz-Badiano ou códice Barberini. Encontra-se actualmente na biblioteca do Instituto Nacional de História e Antropologia, na Cidade do México.

Nota-se na ―Cultura Asteca‖, que os ―sábios‖ utilizavam para cada governo, uma forma de representação e registro da ―história‖. Estes registros, chamados de ―Codices‖. Nestes documentos eram registrados desde ao pagamento correspondente a cada província aos rituais do dia-a-dia. Abaixo, podemos visualizar este conhecimento, representados em 2 exemplos: Ex. 1: Códice Borbónico




Página 13 do Códice Borbónico


O códice borbónico é um códice escrito por sacerdotes astecas pouco antes ou depois da conquista do México. Tal como todos os códices pré-colombianos, era originalmente de natureza totalmente pictorial, tendo sido posteriormente adicionadas algumas descrições em espanhol. Pode ser dividido em três secções:

♦ Um tonalamatl (ou calendário divinatório) elaborado;

♦ Uma documentação do ciclo mesoamericano de 52 anos, mostrando em ordem sequencial as datas dos primeiros dias de cada um destes 52 anos solares;

♦ Uma secção de rituais e cerimónias, particularmente aquelas que fecham o ciclo de 52 anos, quando o Fogo Novo tem de ser acendido.

O mesmo encontra-se na Biblioteca da Assembleia Nacional, em Paris.
Ex. 2: Códice Mendoza




Representação da 1ª. Parte do Códice


Parte da primeira página do Códice Mendoza, representando a fundação de Tenochtitlan.

O códice Mendoza (ou códice Mendocino) é um documento pictorial, com anotações e comentários em espanhol, elaborado por volta de 1541. Divide-se em três secções: uma história de cada governante asteca e suas conquistas, uma lista dos tributos pagos por cada província tributária, e uma descrição geral da vida quotidiana dos astecas. Encontra-se na Biblioteca Bodleiana, em Oxford. Deve o seu nome ao vice-rei Antonio de Mendoza, que terá solicitado a sua elaboração.


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♦ Bibliografia


♦ SOUSTELLE, Jacques - A civilização Asteca, Rio de Janeiro, Zahar Editor, 1987. SOUSTELLE, Jacques - Os astecas na véspera da conquista espanhola. São Paulo, Companhia das letras,1990;

♦ LEÓN-POTILLA, Miguel - A visão dos vencidos. A tragédia narrada pelos astecas. Porto Alegre, LPM, Editores, 1985;

♦ RICARD, Robert - La conquista espiritual de México. México, Fondo de Cultura;

♦ Conhecimento próprio, adquirido através de constantes Meditações e estudos;

http://www.madesp.com.br/portal/tutorial_astecas.asp

Asteca [ II ]





Os sacrifícios humanos integravam a prática religiosa da civilização asteca.


Até o século XIII, na porção noroeste do México, observamos a presença de uma pequena tribo seminômade na região Aztlan. Por razões históricas não muito bem esclarecidas, essa população decidiu se deslocar para a direção sul, até alcançar o território do lago Texcoco, no vale do México. Após derrotar algumas populações que dominavam a região, este povo foi responsável pela criação da civilização asteca.

Ao longo de dois séculos de dominação, os astecas formaram um imponente império contendo mais de quinhentas cidades e abrigando mais de quinze milhões de habitantes. Nesse processo de deslocamento, também é importante falar sobre o estabelecimento da agricultura como atividade econômica fundamental. Graças à agricultura, os astecas tornaram-se uma numerosa civilização.

Primeiramente, as técnicas de plantio rudimentares se aliavam a uma latente indisponibilidade de terras propícias ao plantio. Contudo, esse obstáculo foi superado através da dominação do sistema de chinampas. Na chinampa, temos uma esteira posta sobre a superfície das regiões alagadiças. Na parte superior dessas esteiras, a fértil lama do fundo desses terrenos alagados era aproveitada para a plantação.

A dieta dos astecas era basicamente dominada pelo consumo de pratos feitos a partir do milho. Além disso, consumiam um líquido extraído do cacau, conhecido como xocoalt, uma espécie de ancestral do popular chocolate. Tabaco, algodão, abóbora, feijão, tomate e pimenta também integravam a rica mesa dos astecas. Curiosamente, o consumo de algumas carnes era reservado a membros das classes privilegiadas.

Portadores de uma forte cultura voltada ao conflito, os astecas tinham sua sociedade controlada por uma elite militar. O rei era o líder maior de todos os exércitos e exercia as principais funções políticas ao lado de outro líder destinado a criação de leis, a distribuição dos alimentos e a execução de obras públicas. Logo após essa elite política, tínhamos os militares e sacerdotes limitados à elite da sociedade asteca.

Logo em seguida, tínhamos a presença de comerciantes e artesãos que definiam a classe intermediária. O comércio tinha grande importância na civilização asteca, a troca comercial geralmente envolvia gêneros agrícolas, artesanato, tecidos, papel, borracha, metais e peles. Em algumas situações, os comerciantes atuavam como espiões e, por isso, recebiam a isenção de impostos.

Os camponeses ocupavam a mais baixa posição da hierarquia social asteca. Também devemos assinalar a existência de uma pequena população de escravos, obtidos por meio dos conflitos militares. A única via de ascensão acontecia por meio de algum ato de bravura executado em guerra. O soldado era prestigiado com a doação de terras, joias e roupas.

A cultura e o saber dos astecas tiveram expressão nos mais diversificados campos. Assim como os maias, estabeleceram a criação de um calendário que organizava a contagem do tempo e também cunharam um sistema de escrita. Em suma, a escrita deste povo era dotada de um sistema pictórico que combinava o uso de objetos e figuras e outro hieroglífico, sistematizado por símbolos e sons.

A medicina asteca não reconhecia limites e distinções para com as práticas religiosas. Curandeiros e sacerdotes integravam uma rica cultura religiosa cercada por vários dos deuses formadores de uma complexa mitologia fornecedora de sentido a vários eventos e dados da cultura asteca. Em algumas festividades, o sacrifício e o derramamento de sangue humano integravam os rituais astecas.

Arte Asteca - História da Arte Asteca


As ruínas astecas indicam muito mais grandeza do que qualidade. Sua arquitetura era menos refinada que a dos maias. Milhares de artesãos trabalhavam continuamente para construir e manter os templos e palácios. Pequenos templos se elevavam no topo de altas pirâmides de terra e pedra, com escadaria levando aos seus portais. Imagens de pedra dos deuses, em geral de forma monstruosa, e relevos com desenhos simbólicos, eram colocados nos templos e nas praças.







O Homem de Jade, 

uma das misteriosas relíquias dos astecas

A mais famosa escultura asteca é a Pedra do Sol, erradamente conhecida como Calendário de Pedra Asteca. Está no Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México. Com 3,7 m de diâmetro, a pedra tem no centro a imagem do deus sol, mostrando os dias da semana asteca e versões astecas da história mundial, além de mitos e profecias.
Os astecas eram artesãos hábeis. Tingiam algodão, faziam cerâmica e ornamentos de ouro e prata e esculpiam muitas jóias finas em jade.










Por Rainer Sousa


Os Astecas - A ascenção de um Império




Agricultores Astecas construindo uma chinampa

Inicialmente, os Astecas viviam nos pantanosos arredores do lago Texcoco, mas graças à proteção e ao auxílio dados pelo rei dos Tepanecas Tezomoc, os Astecas não só estavam seguros, como conseguiram começar a construção de suas cidades das quais se destacaria a imponente Tenochtitlán.

Após anos de aproximação entre Astecas e Tepanecas, a aliança entre os dois grupos se fortaleceu, tanto que o neto de Tezomoc, Chimalpopoca se tornou o terceiro soberano de Tenochtitlán, mas após a morte do soberano dos Tepanecas essa aliança iria se degradar.

É fato, que expressivas camadas da sociedade Tepaneca eram anti-Astecas, visto que o falecido Tezomoc havia autorizado e até incentivado uma obra de captação dos recursos hídricos das terras Tepanecas para as terras Astecas, onde não havia água potável.

Seu herdeiro, Maxtla, aproveitando-se da insatisfação destas camadas, declarou guerra aos Astecas.

Chimalpopoca, soberano dos Astecas de Tenochtitlán, irmão de Maxtla foi então capturado, e posteriormente executado.

Tenochtitlán apressadamente nomeia seu quarto imperador, Itzcoatl, que habilmente se alia as cidades Astecas de Texcoco e Tlacopan.

Após o recrutamento de um numeroso exército oriundo desta coligação, os Astecas finalmente conquistam Azcapotzalco, a capital do império Tepaneca. Maxtla e seus seguidores são brutalmente assassinados.

Os Astecas a partir daquele momento se tonariam senhores de todo o vale do México.

Agora não eram mais tributários dos Tepanecas, a situação se invertia, e as populações conquistadas deveriam pagar impostos aos Astecas.

Sob o governo de Montezuma I os Astecas seguiram com sua política expansionista e solucionaram problemas urbanos na cidade de Tenochtitlán, construindo diques contra as inundações e “chinampas” com o intuito de melhorar os problemas de habitação e de abastecimento de gêneros alimentícios.

Além disso, Montezuma ordenou a construção de um grande aqueduto acabando de vez com o problema do abastecimento de água.

O aqueduto também ajudaria a criar os maravilhosos jardins de Texcotzingo.

No reinado seguinte, o rei de Tenochtitlán, Axayacatl reduziria a cidade Asteca de Tlatelolco a escombros. Sem que qualquer cidade pudesse chegar a sua altura, Tenochtitlán se tornou a mais poderosa cidade do império, que seguiu se expandindo com os dois imperadores seguintes.

Com a expansão, pesados impostos foram cobrados dos povos subjugados.

Ahuitzotl, penúltimo imperador Asteca conseguiu expandir os domínios do império para todas as direções, alcançando ao sul a atual Guatemala, ao leste, o Atlântico e ao oeste o oceano Pacífico.

Todos os guerreiros inimigos capturados nas guerras eram levados e sacrificados no templo de Huitzlopchtli, em honra deste Deus.

Ahuitzotl era absoluto agora, não tinha qualquer um que pudesse competir com ele, mas seu sucessor, Montezuma II, não teria a mesma sorte, pois teria que encarar um desconhecido inimigo que viria do outro lado do oceano: Hernan Cortés.



Huitzlopochtli, o sanguinário deus Asteca da chuva




Bibliografia -

LONGHENA, Maria. O México antigo. Folio. 2006

Enciclopédia Seleções – O conhecimento na ponta dos dedos. Reader’s Digest. Rio de Janeiro. 2007

MARCILLY, Jean. A civilização dos Astecas. Otto Pierre Editores. Rio de Janeiro. 1978



Filmografia –


Construindo um império – Os Astecas. The History Channel.2006

Sites consultados –
historystuff.net
archaeology.about.com




Os dias astecas e seus significados


O Tonalpohualli (um dos calendários adotados pelos astecas) era composto por vinte trezenas, sendo que cada dia desse período possuia uma respectiva “força” a ele relacionado.

Abaixo temos um quadro (em Nahuatl e em português) que mostra essas vinte forças existentes.




Cada um desses dias também era relacionado a uma direção cardeal, sendo que a ordem, de acordo com a figura começaria de cima para baixo e da esquerda pra direita, sendo que a ordem das direções cardeais seria: Leste, Norte, Oeste e Sul.

Por exemplo:

Cipactli, o primeiro de nossa ordem, corresponderia a direção Leste. Ehecatl, o segundo, corresponderia a direção Norte e assim sucessivamente.


Por The Earth


Os Astecas - O nascimento de um povo





A Cidade de Tenochtitlán retratada por Diego Rivera em "La gran Tenochtitlán"

Perseguidos pelo soberano de Culhuacan, os Astecas perambulava por um território pantanoso, até que um de seus sacerdotes viu uma águia pousada em um cacto devorando uma serpente. Era aquele o sinal, ali eles deveriam se estabelecer.

Foi naquele pântano alagadiço que os Astecas construíram sua capital, uma cidade que se tornaria única em seu tamanho e sofisticação: Tenochtitlán.


É verdade que a História Asteca é um pouco anterior a fundação de Tenochtitlán ocorrida em 1325. Antes da construção daquela cidade os astecas eram nômades e exerciam sua atividade guerreira como mercenários contratados.

Os Astecas tinham seus deuses e sua religião, e muito embora tivessem se inspirado nos costumes religiosos dos antigos toltecas e tivessem incorporado muitos dos seus deuses, foi essa religião criadora de muitos problemas para os Astecas. Um exemplo disso foi o exílio imposto a eles nos alagadiços arredores do lago Texcoco.

Após celebrarem o casamento entre a filha de Coxcox, rei dos Culhuacan e o deus Huitzilopochtli-Mexitli, o rei mandou exterminar todos os Astecas.

A explicação é simples, para realização do casamento, a princesa deveria ser sacrificada, quando o rei viu sua filha, ele viu apenas a sua pele cobrindo o corpo de um sacerdote Asteca, o que provocou a ira do monarca.

Os Astecas só sobreviveram a extinção, pois Coxcox julgou que seus oponentes não sobreviveriam nas pantanosas terras de seu exílio.

O rei subestimou seus adversários, pois além de sobreviverem, os Astecas, a partir de Tenochtitlán, a maior cidade do mundo, iriam organizar um fabuloso império.






A Bandeira do México contém a figura da águia comendo a serpente em cima de um cacto em homenagem ao antigo Império Asteca.

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Bibliografia -


LONGHENA, Maria. O México antigo. Folio. 2006

Enciclopédia Seleções – O conhecimento na ponta dos dedos. Reader’s Digest. Rio de Janeiro. 2007

MARCILLY, Jean. A civilização dos Astecas. Otto Pierre Editores. Rio de Janeiro. 1978

Os astecas









No século XVI, a região centro-sul do atual território mexicano abrigava um conjunto de sociedades que hoje chamamos de astecas.


A principal cidade da região era Tenochtitlán, que começou a ser construída em 1325 sobre o lago Texcoco. A Cidade do México, atual capital mexicana, foi erguida sobre as ruínas de Tenochtitlán.


Essas cidades eram habitadas por diferentes povos, como os tlatelolcas culhuas e tepanecas.


Sua população falava línguas diversas, mas tinha em comum as técnicas utilizadas na agricultura, as relações comerciais e as crenças religiosas.


Outra característica comum às cidades dessa região era a cobrança de impostos a partir de guerras e alianças militares.


Os derrotados na guerra eram obrigados a pagar impostos aos vencedores sob a forma de escudos, esteiras, milho, feijão ou mantas de algodão.


Para se livrar dos impostos, os derrotados compunham novas alianças militares e entravam novamente em guerra.
Além da cobrança dos impostos, também ocorriam guerras por motivos religiosos, nas quais o objetivo era fazer prisioneiros para sacrificar aos deuses.


Quando os espanhóis chegaram à América, Tenochititlán era uma grande e populosa cidade, com cerca de duzentos mil habitantes. Suas ruas eram retas e amplas.


Tenochtitlán era cortada por dezenas de canais, por onde circulavam barcos carregados de mercadorias e aquedutos, que traziam água doce das montanhas.


Um lugar de destaque na capital dos astecas era o movimentado mercado central, que contava, inclusive, com armazéns onde os artigos era estocados.


Grande parte da riqueza de Tenochtitlán vinha, com certeza, dos pesados impostos cobrados aos povos vencidos.



A sociedade Asteca




No topo da pirâmide social estava o imperador, considerado semidivino. Ele tinha enorme poder e grande responsabilidade.


Em caso de uma seca prolongada, por exemplo, era de sua responsabilidade fornecer alimentação e roupa para as pessoas necessitadas.


Abaixo do imperador vinham os nobres. Eram eles, geralmente, que ocupavam os principais cargos administrativos, religiosos e militares.


Aqueles que seguiam a carreira das armas, os guerreiros, tinham enorme prestígio na sociedade asteca.


Inicialmente eram escolhidos entre os mais valentes. Com o tempo, a atividade começou a passar de pai para filho.


Os que se destacavam capturando um grande número de inimigos ingressavam em prestigiadas ordens militares, como a dos cavaleiros-águias, a dos soldados-do-sol ou a dos cavaleiros-jaguares.


 


 Na ilustração, o grande sacerdote de Tenochtitlán, responsável pelo culto na Grande Pirâmide, retornando à capital depois de consagrar um templo em uma cidade vizinha. Ele entra solenemente na cidade carregado em um palanquin.




Alguns elementos da nobreza seguiam o sacerdócio em escolas especiais chamadas calmecac. Os sacerdotes eram encarregados de cultuar os deuses e interpretar a vontade deles.


Como os sacerdotes do Egito antigo, acumulavam grande riqueza em terras e objetos preciosos. Isto graças às doações feitas pelo imperador e por particulares.


Outros nobres tornavam-se altos funcionários públicos. Estes não pagavam impostos e jamais faziam trabalhos manuais. Seus filhos tinham direito à educação especial, que os preparava para ocupar os melhores cargos no governo.


Abaixo dos nobres vinham os artesãos, que eram conhecidos por sua habilidade e requinte. Os ramos mais prestigiados eram a ourivesaria, a joalheria e o trabalho com plumas. Cada grupo de artesãos tinha a sua corporação, um bairro e um deus próprio.


O ofício geralmente passava de pai para filho.


Os artesãos trabalhavam nas suas próprias casas, ajudados por suas mulheres, ou nos palácios e residências dos grandes senhores. Cada grupo pagava um imposto com artigos de sua especialidade.


Em seguida vinham os comerciantes, com destaque para os atacadistas, especialmente os que comercializavam artigos de luxo.


Os comerciantes incentivavam os casamentos dos seus filhos com os filhos dos nobres a fim de ascender socialmente. Assim como os artesãos, eles transmitiam sua profissão aos filhos.


Já os agricultores e os soldados constituíam a maioria da população masculina asteca e dificilmente conseguiam melhorar de vida.


Os escravos, por sua vez, eram prisioneiros de guerra condenados pela justiça ou indivíduos que, para saldar uma dívida de jogo ou por terem se arruinado pela bebida, tinham se tornado escravos.



O tlachtli



Os astecas tinham grande paixão pelo esporte. Um de seus jogos preferidos era o Tlachtli.


O Tlachtli era um jogo de bola bastante popular entre os astecas e já era praticado antes pelos maias e pelos toltecas. Possuía características que lembram tanto o futebol quanto o basquete.


As partidas reuniam um público que aproveitava para fazer apostas.




( BOULOS JUNIOR, Alfredo. coleção História – Sociedade; Cidadania )




Religião Asteca


A divindade mais importante do panteão asteca era Huitzilopochtli, deus da guerra e do Sol. Segundo suas crenças, essa divindade teria guiado os astecas até o planalto do México, indicando-lhes onde deveriam construir Tenochtitlán.


Ao entrarem em contato com outros povos, eles incorporaram novas crenças e deuses, como Quetzacoátl, serpente emplumada, deusa da sabedoria e do conhecimento, e Tlaloc , deus da chuva e da agricultura.







Cerâmica, com características de Tlaloc,
deus asteca da chuva e da agricultura




Os astecas acreditavam que os deuses praticavam boas ações quando recebiam presentes e homenagens. Por isso realizavam sacrifícios – inclusive humanos – para agradar às divindades. Todos os anos, cerca de 10 mil a 20 mil pessoas eram mortas em rituais religiosos realizados no topo das pirâmides.


Em situações de calamidade, como a seca ou uma guerra, os astecas chegavam a imolar (sacrificar) esse número de pessoas de uma única vez. Os sacrificados assumiam um caráter quase divino, pois eram vistos como mensageiros enviados aos deuses.
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Lenda e História

Diz a lenda que os astecas eram um povo andarilho que habitava o norte da América. Certo dia, deixaram sua terra natal, chamada Astlán, e caminharam sem parar em direção ao sul. Eles já caminhavam havia anos quando avistaram uma águia empoleirada num cacto, que trazia uma cobra presa ao bico e a uma de suas patas. Os sacerdotes astecas consideraram aquela águia um sinal dado por seu deus, Huitzilopochtli, de que era ali que eles deviam se fixar e recomeçar a vida. E, segundo a lenda, foi isto o que fizeram.





 A Águia simboliza a ocupação das terras di vale do México pelos astecas e aparece na atual bandeira do México
Já para os historiadores, os astecas deixaram o norte da América em busca de terras férteis por volta do século XII. E, depois de uma longa caminhada, chegaram ao fértil vale do Anahuac, hoje vale do México, e ocuparam as ilhas ocidentais do lago Texcoco, pois as outras já eram habitadas. Numa dessas ilhas, no ano de 1325, os astecas ergueram a cidade de Tenochtitlán.
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Fonte:


Jacques Soustelle. Os astecas na véspera da conquista espanhola. São Paulo: Companhia das Letras/Círculo do Livro, 1990. p. 117-40.) 


( Gislane e Reinaldo. História. ensino médio  )

 



Astecas




Brasão de armas mexicano
mostrando o sinal para
a fundação da capital asteca.


Os astecas (1325 até 1521; a forma azteca também é usada) foram uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território correspondente ao atual México.

Na sucessão de povos mesoamericanos que deram origem a essa civilização destacam-se os toltecas, por suas conquistas civilizatórias, florescendo entre o século X e o século XII seguidos pelos chichimecas imediatamente anteriores e praticamente fundadores do Império Asteca com a queda do Império Tolteca.

Os astecas foram derrotados e sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis, comandados por Fernando Cortez.


História


O controle político do populoso e fértil vale do México ficou confuso após 1100. Gradualmente, os astecas, uma tribo do norte, assumiram o poder depois de 1200.

Os astecas eram um povo indígena da América do Norte, pertencente ao grupo nahua.

Os astecas também podem ser chamados de mexicas (daí México). Migraram para o vale do México (ou Anahuác) no princípio do século XIII e assentaram-se, inicialmente, na maior ilha do lago de Texcoco (depois todo drenado pelos espanhóis), seguindo instruções de seus deuses para se fixarem onde vissem uma águia pousada em um cacto, devorando uma cobra.

A partir dessa base formaram uma aliança com duas outras cidades – Texcoco e Tlacopán – contra Atzcapotzalco, derrotaram-no e continuaram a conquistar outras cidades do vale durante o século XV, quando controlavam todo o centro do México como um Império ou Confederação Asteca, cuja base econômico-política era o modo de produção tributário.

No princípio do século XVI, seus domínios se estendiam de costa a costa, tendo ao norte os desertos e ao sul o território maia.




Um guerreiro-jaguar do Codex Magliabecchiano.
O jaguar desempenhava um papel cultural na mitologia asteca.



Os astecas, que atingiram alto grau de sofisticação tecnológica e cultural, eram governados por uma monarquia eletiva, e organizavam-se em diversas classes sociais, tais como nobres, sacerdotes, guerreiros, comerciantes e escravos, além de possuírem uma escrita pictográfica e dois calendários (astronômico e litúrgico).

Ao estudar a cultura asteca, deve-se prestar especial atenção a três aspectos: a religião, que demandava sacrifícios humanos em larga escala, particularmente ao Deus da guerra, Huitzilopochtli; a tecnologia avançada, como a utilização eficiente das chinampas (ilhas artificiais construídas no lago, com canais divisórios) e a vasta rede de comércio e sistema de administração tributária.

O império asteca era formado por uma organização estatal que se sobrepôs militarmente a diversos povos e comunidades na Meso-América.

Segundo Jorge Luis Ferreira, os astecas possuíam uma superioridade cultural e isso justificaria sua hegemonia política sobre as inúmeras comunidades nestas regiões, o que era argumentado por eles mesmos.

No período anterior a sua expansão os astecas estavam no mesmo estágio cultural de seus vizinhos de outras etnias. Por um processo muito específico, numa expansão rápida, passaram a subjugar, dominar e tributar os povos das redondezas, outrora seus iguais.

É importante lembrar estes aspectos pelo fato de terem se tornado dominantes por uma expansão militar, e não por uma suposta sofisticação cultural própria e autônoma.

Apesar de sacrifícios humanos serem uma prática constante e muito antiga na Mesoamérica, os astecas se destacaram por fazer deles um pilar de sua sociedade e religião.

Segundo mitos astecas, sangue humano era necessário ao sol, como alimento, para que o astro pudesse nascer a cada dia. Sacrifícios humanos eram realizados em grande escala; algumas centenas em um dia só não era incomum.

Os corações eram arrancados de vítimas vivas, e levantados ao céu em honra aos deuses. Os sacrifícios eram conduzidos do alto de pirâmides para estar perto dos deuses e o sangue escorria pelos degraus.

A economia asteca estava baseada primordialmente no milho, e as pessoas acreditavam que as colheitas dependiam de provisão regular de sangue por meio dos sacrifícios.

Durante os tempos de paz, "guerras" eram realizadas como campeonatos de coragem e de habilidades de guerreiros, e com o intuito de capturar mais vítimas. Eles lutavam com clavas de madeira para mutilar e atordoar, e não matar. Quando lutavam para matar, colocava-se nas clavas uma lâmina de obsidiana.

Sua civilização teve um fim abrupto com a chegada dos espanhóis no começo do século XVI.

Tornaram-se aliados de Cortés em 1519. O governante asteca Moctezuma II considerou o conquistador espanhol a personificação do Deus Quetzalcóatl, e não soube avaliar o perigo que seu reino corria. Ele recebeu Cortés amigavelmente, mas posteriormente o tlatoani foi tomado como refém.

Em 1520 houve uma revolta asteca e Moctezuma II foi assassinado. Seu sucessor, Cuauhtémoc (filho do irmão de Montezuma), o último governante asteca, resistiu aos invasores, mas em 1521 Cortés sitiou Tenochtitlán e subjugou o império. Muitos povos não-astecas, submetidos à Confederação, se uniram aos conquistadores contra os astecas.


A Sociedade





Imagem totem de um guerreiro águia,
que junto com o guerreiro-jaguar,
compuseram primordialmente
as elites de guerra do antigo império asteca.



A sociedade asteca era rigidamente dividida. O grupo social dos pipiltin (nobreza) era formada pela família real, sacerdotes, chefes de grupos guerreiros — como os Jaguares e as Águias — e chefes dos calpulli. Podiam participar também alguns plebeus (macehualtin) que tivessem realizado algum ato extraordinário. Tomar chocolate quente (xocoatl) era um privilégio da nobreza. O resto da população era constituída de lavradores e artesãos. Havia, também, escravos (tlacotin).

Havia, na ordem, começando do plano mais baixo:


Escravos

maceualli ou calpulli (membro do clã)

artesãos e comerciantes

pochtecas (grandes comerciantes)

sacerdotes, dignitários civis e militares.



O imperador

Os imperadores astecas em língua Nahuatl eram chamados Hueyi Tlatoani ("O Grande Orador"), termo também usado para designar os governantes das altepetl (cidades). Os imperadores astecas foram os maiores responsáveis tanto pelo crescimento do império, como para a decadência do mesmo.

Ahuizotl, por exemplo, foi ao mesmo tempo o imperador mais cruel e o responsável pela maior expansão do império. Já Montezuma II (ou Moctezuma II), tendo sido um imperador justo e pacifico, foi também fraco em suas decisões, permitindo que os espanhóis entrassem em seus domínios, mesmo após a circulação de histórias de que estes teriam massacrado tribos, abalando fatalmente a solidez de seu império, e finalmente degenerando na sua extinção.

A sucessão dos imperadores astecas não era hereditária de pai para filho, sendo estes eleitos por um consenso entre os membros da nobreza.

Imperadores

Acamapichitli (1376–1395)

Huitzilíhuitl (1395–1417)

Chimalpopoca (1417–1427)

Itzcóatl (1427-1440)

Montezuma I (1440-1469)

Axayacatl (1469-1481)

Tízoc (1481-1486)

Ahuizotl (1486-1502)

Montezuma II (1502-1520)

Cuitláhuac (1520)

Cuauhtémoc (1520-1521)



A religião


Eram politeístas (acreditavam em vários deuses) e acreditavam que se o sangue humano não fosse oferecido ao Sol, a engrenagem do mundo deixaria de funcionar.


Os sacrifícios eram dedicados a Tlaloc




Estátua de Tlaloc 

nas imediações do Museu Nacional
 de Antropologia e História, 
na Cidade do México.


Huitzilopochtli ou Tezcatlipoca: o sacrificado era colocado em uma pedra por quatro sacerdotes, e um quinto sacerdote extraía, com uma faca, o coração do guerreiro vivo para alimentar seu Deus: Tlaloc: anualmente eram sacrificadas crianças no cume da montanha. Acreditava-se que quanto mais as crianças chorassem, mais chuva o Deus proveria.

No seu panteão havia centenas de deuses. Os principais eram vinculados ao ciclo solar e à atividade agrícola. Observações astronômicas e estudo dos calendários faziam parte do conhecimento dos sacerdotes.

O Deus mais venerado era Quetzalcóatl, a serpente emplumada. Os sacerdotes formavam um poderoso grupo social, encarregado de orientar a educação dos nobres, fazer previsões e dirigir as cerimônias rituais. A religiosidade asteca incluía a prática de sacrifícios. Segundo o divulgado pelos conquistadores o derramamento de sangue e a oferenda do coração de animais e de seres humanos eram ritos imprescindíveis para satisfazer os deuses, contudo se considerarmos a relação da religião com a medicina encontraremos um sem número de ritos.

Há referências a um Deus sem face, invisível e impalpável, desprovido de história mítica para quem o rei de Texoco, Nezaucoyoatl, mandou fazer um templo sem ídolos, apenas uma torre. Esse rei o definia como "aquele, graças a quem nós vivemos".


A medicina




Uma página do Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis,

um herbário asteca composta em 1552 
por Martín de la Cruz etraduzido para o latim por Juan Badianus.


A antropologia médica situa o conhecimento mítico-religioso como forma de racionalidade médica se este se constitui como um sistema lógico e teoricamente estruturado, que preencha como condições necessárias e suficientes os seguintes elementos:

Uma morfologia (concepção anatômica);

Uma dinâmica vital ( "fisiologia");

Um sistema de diagnósticos;

Um sistema de intervenções terapêuticas;

Uma doutrina médica (cosmologia).


Pelo menos parcialmente, o sistema asteca preenche tais requisitos. Apresenta-se como teoricamente estruturado, com formação específica (o aprendizado das diversas funções da classe sacerdotal), o relativo conhecimento de anatomia (comparado com sistemas etnomédicos de índios dos desertos americanos ou florestas tropicais) em função, talvez, da prática de sacrifícios humanos mas não necessariamente dependente dessa condição. Há evidências que soldavam fraturas e punham talas em ossos quebrados.

A dinâmica vital da relação tonal (tonalli) – nagual (naualli) ou explicações do efeito de plantas medicinais são pouco conhecidos, contudo o sistema de intervenções terapêuticas através de plantas medicinais, dietas e ritos são evidentes. A doutrina médica tradicional por sua vez, também não é bem conhecida.

No sistema diagnóstico encontramos quatro causas básicas: Introdução de corpo estranho por feitiçaria; Agressões sofridas ao duplo (nagual); Agressões ou perda do tonal; e influências nefastas de espíritos (ares).

Em relação a esse conjunto de patologias, os deuses representavam simultaneamente uma categoria de análise de causa e possibilidade de intervenção por sua intercessão. Tlaloc estava associado aos ares e doenças do frio e da pele (úlceras e lepra) e hidropsia; Ciuapipiltin às convulsões e paralisia; Tlazolteotl às doenças do amor que inclusive causavam a morte (tlazolmiquiztli ); Ixtlilton curava as crianças; Lume, ajudava as parturientes; Xipe Totec era o responsável pelas oftalmias.

Plantas e técnicas


O tabaco e o incenso vegetal (copalli) estava presente em suas práticas. Seus ticitl (médicos feiticeiros) em nome dos deuses realizavam ritos de cura com plantas que contém substâncias enteógenas ( Lophophora williamsii ou peiote; Psylocybe mexicana, Stropharia cubensis - cogumelos com psilocibina; Ipomoea violacea e Rivea corymbosa - ololiuhqui) que ensinam a causa das doenças, mostram a presença de tonal (tonalli), e agressões infligidas ao duplo animal ou nagual (naualli) os casos de enfeitiçamento ou castigo dos deuses.

Entre os remédios mais conhecidos estava a alimentação dos doentes com dietas a base de milho e ervas tais como: passiflora (quanenepilli), o bálsamo-do-peru (Myroxylon peruiferum L. f.), a raiz de jalapa, a salsaparrilha (iztacpatli / psoralea) a valeriana o cihuapahtli ou zoapatle (Montanoa tomentosa), empregado como auxiliar do trabalho de parto com seu princípio ativo análogo à ocitocina associado à purhépecha (Manzanilla - Matricaria recutita L.) ou equivalente, com suas propriedades sedativas, entre centenas de outras registradas em códices escritos dos quais nos sobraram fragmentos.

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Bibliografia


Soustelle, Jacques. A vida cotidiana dos astecas, nas vésperas da conquista espanhola. MG, Itatiaia, 1962

Soustelle, Jacques. A civilização asteca. RJ, Zahar, 1970

Cervera. Marco. Breve historia de los Aztecas. Madrid, Es, Nowtilus, 2008 Google Livros Jul. 2011

Moctezuma, Eduardo Matos. Tenochtitlán. Mexico. Fondo de Cultura Econômica, 2006 Google Livros Jul. 2011

Cruz, Martín de la; Gates,William. An Aztec herbal: the classic codex of 1552. NY, Dover, 2000. Google Books Jul. 2011Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



HH

05/04/2012

NOTA DE FALECIMENTO





No último dia 29 de março, às 18 horas, meu irmão, Átila Nunes Neto, com apenas 39 anos de idade,fez sua passagem, abatido por um câncer.



Durante sete meses, quando soube da doença, meu irmão lutou como um bravo. Inteligentíssimo, Átila Nunes Neto era o orgulho de nossa família: justo, humano e dotado de uma extraordinária espiritualidade.



Átila Nunes Neto dedicou sua vida à dois objetivos: a luta contra a intolerância religiosa e à defesa do consumidor.



Somos uma família de espiritualistas e cremos que o espírito sobrevive.



Por isso, eu lhe peço, em meu nome e de meus pais, que pense sempre no Átila Nunes Neto como um ser humano que, na sua vida material, só deixou liçoes inesgotáveis de solidariedade ao seu semelhante.



ÁTILA A. NUNES


A luz é eterna para quem tem fé.


ÁTILA ALEXANDRE NUNES, ÁTILA NUNES FILHO e ÁTILA NUNES NETO (1973-2012)






PENSE EM MIM


Se você me conheceu e gostou de mim, não chore.


Se você conhecesse o mistério do céu onde me encontro.

Se você pudesse ver e sentir o que eu sinto.

Se pudesse ver os horizontes sem fim.

Se pudesse enxergar uma luz que tudo alcança...

Ninguém jamais choraria por mim.

Estou agora absorvido pelo encanto de Deus...

Pelas suas expressões de infinita beleza.

E nesta nova vida, as coisas do tempo passado são pequenas e insignificantes.

Conservo ainda todo o meu afeto por você e uma ternura que jamais pude revelar.

Em vida, todos nos amamos ternamente,

Mas tudo era então muito fugaz e limitado.

Vivo na serena expectativa de sua chegada entre nós, um dia Pense em mim nas suas lutas,

Estou numa maravilhosa morada onde não existe a morte Onde, juntos, viveremos no clima puro e intenso.

Todos juntos à fonte inesgotável da alegria e do amor.

Se você me ama ou ama alguém querido que já se foi, não chore mais.

Todos nós estamos em paz.

ÁTILA NUNES NETO (1973-2012)



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