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OKEY CABOCLO!

25/02/2014

O CAMINHO DO CURADOR ... focando no Coração!








O arquétipo do Curador é uma estrutura mítica universal, que todos os seres vivos têm dentro de si. Entre as culturas indígenas, esse símbolo apóia o princípio de prestar atenção ao que tem coração e significado. Os Cu radores, nas maiores tradições, reconhecem que o poder do amor é a mais poderosa energia de cura de que o ser humano dispõe. O Curador efetivo, em qualquer cultura, é aquele que estende os braços do amor para praticar o reconhecimento, a aceitação, a consideração, o valor e a gratidão.

Muitas culturas nativas acreditam que o coração é a ponte que liga o Pai Céu à Mãe Terra. Para essas tradições, o coração de quatro câmaras, fonte de sustentação de nossa saúde emocional e espiritual, é definido como cheio, aberto, puro e forte. Essas tradições sentem que é importante conferir diariamente as condições desse coração de 4 câmaras, perguntando: "Estou com meu coração cheio, aberto, límpido e forte?"

Quando o coração não está cheio, nos aproximamos das pessoas e das situações só com a metade dele. O sentimento que experimentamos, como se devêssemos fazer algo que não queremos, é o te rreno em que germina o coração pela metade. Sentir o coração só pela metade é sinal de que estamos em má posição.

Quando o coração não está aberto, transformamo-nos em pessoas de coração fechado. Ficar na defensiva, buscar abrigo em nossa própria resistência, proteger-nos contra a possibilidade de sermos feridos são seus sinais. A resposta é abrandar e reabrir o coração.

Quando o coração não está límpido, ficamos confusos e carregamos a dúvida dentro dele. É onde devemos parar e esperar. Os estados de ambivalência e indiferença são precursores da confusão e da dúvida. A passagem por qualquer um desses estados é um lembrete para aguardarmos a clareza, em vez da ação.

Quando nosso coração não está forte, falta-nos coragem de ser autênticos ou dizer o que é verdadeiro para nós mesmos. Força de coração é ter coragem de ser tudo o que somos em nossas vidas. A palavra "coragem" vem do t ermo francês coeur, que quer dizer coração e, etimologicamente, significa "a capacidade de defender nosso coração ou nossa essência". Quando exibimos coragem, demonstramos o poder recuperador de prestar atenção àquilo que tem coração e significado para nós.


OS 6 TIPOS DE AMOR UNIVERSAL:

Manter a saúde de nosso coração de 4 câmaras nos permite explorar nossa natureza interior, bem como estarmos abertos aos 6 tipos de amor universal:

1. Amor entre companheiros e amantes

2. Amor entre pais e filhos

3. Amor entre colegas e amigos

4. Amor profissional

5. Amor por si mesmo

6. Amor incondicional ou espiritual




OITO CONCEITOS DE CURA:

Todos esses tipos de amor são portas para a cura. Quando nos abrimos a eles, nossa capacidade de manter um ponto de vista equilibrado sobre esse assunto aumenta. Jeanne Achterberg, em seu livro Woman as Healer, nos aponta os seguintes conceitos, que contribue m para o alcance desse equilíbrio:

1. A cura é a jornada de toda uma vida no sentido da inteireza;

2. Curar é lembrar o que foi esquecido sobre vínculo, unidade e interdependência, entre tudo que é vivente e não-vivente;

3. Curar é abrir os braços ao que é mais temido;

4. Curar é abrir o que estava fechado, suavizar o que endureceu em forma de obstrução;

5. Curar é penetrar no momento transcendente, atemporal, em que se experimenta o divino;

6. Curar é criatividade, paixão e amor;

7. Curar é buscar e expressar o ser em sua plenitude, sua luz e sua sombra, o masculino e o feminino;

8. Curar é aprender a confiar na vida.

Quando não desenvolvemos em nós qualquer um desses conceitos, encontramos fechada a porta para o amor e para a saúde.


O PRINCÍPIO DA RECIPROCIDADE:

A cura envolve o princípio da Reciprocidade, a capacidade de igualmente dar e receber, e a capacidade de vincular-se. Os 8 conceitos de Achterberg revelam esse princípio em ação. Para mantermos nossa saúde e bem-estar necessitamos manter o equilíbrio entre crescer e receber, e reconhecer quando um dos pólos está mais desenvolvido que o outro. Curar a si e aos outros envolve práticas que cuidam e tratam da natureza interior e da natureza exterior, sem privilegiar ou minorizar condições.



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LONGA PERUANO TUPAC AMARU É EXIBIDO EM SP








No domingo, dia 17 de outubro de 2.010, a Cinemateca Brasileira exibe, em sessão especial, o longa peruano Tupac Amaru (1984), dirigido por Federico García Hurtado. Inédito em telas brasileiras, o filme trata de um episódio da história da colonização espanhola no Peru, o levante conduzido pelo líder indígena Tupac Amaru, no final do século XVIII. Após a projeção, o cineasta Federico García Hurtado conversa com o público presente.

Considerado pela crítica um dos mais importantes filmes da história do cinema peruano, foi exibido em festivais de cinema realizados em inúmeros países – Japão, Colômbia, Coréia do Norte, Equador, Cuba, Canadá etc – e recebeu, entre outros, o Prêmio Saúl Yelín, oferecido pela Associação de Cineastas Latino-americanos em Havana, em 1985, e a Menção Honrosa no Festival de Cinema de Londres de 1986.

Tupac Amaru foi realizado em regime de co-produção com o ICAIC – Instituto Cubano del Arte y la Industria Cinematográficos e contou com a participação de organizações agrárias e urbanas de Cusco, no Peru.

Escritor, jornalista e cineasta, Federico García Hurtado nasceu em 1937. Iniciou sua carreira como diretor na segunda metade dos anos 1960 com os curtas Huando, Tierra sin patrones e Inkari, proibidos pela ditadura militar. Estreou no longa em 1975 com o documentário Donde nacen los cóndores, película financiada por um grupo de camponeses de uma cooperativa peruana. Seu último filme é El forastero (2002).


Serviço:


Exibição de Tupac Amaru / Encontro com Federico García Hurtado; aconteceu:
Dia 17 de outubro, às 19h30
Na Sala Cinemateca Petrobras, no Largo Senador Raul Cardoso, 207, próximo ao Metrô Vila Mariana
Entrada franca
Não indicado para menores de 12 anos



Por Samuel Dasilvah
http://profsamueldasilvah.blogspot.com/2010/10/longa-peruano-tupac-amaru-e-exibido-em.html


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O QUE É HISTÓRIA?








História (do grego antigo historie, que significa testemunho, no sentido daquele que vê) é a ciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitante à análise de processos e eventos ocorridos no passado.

A palavra história tem sua origem nas «investigações» de Heródoto, cujo termo em grego antigo é Ἱστορίαι (Historíai).

Estudar História significa pesquisar, investigar, indagar sobre o passado. O primeiro historiador foi Heródoto, um grego que viveu no século IV a.C., que viajou para o Egito e começou a relatar histórias daquele povo.

A idéia da História como uma ciência surgiu na Europa no século XIX. Nesse momento, surgiram os primeiros cursos que passaram a ensinar métodos de pesquisa e que documentos históricos (fontes) deveriam ser utilizados na pesquisa histórica.


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TERRA E POVOS INDÍGENAS







A relação da terra para as populações indígenas tem significados próprios. O valor dado a terra em momento algum se menciona o retorno financeiro, a destruição para produzir.

A terra é um bem essencial para que toda e qualquer sociedade possa desenvolver a ação de “viver” de forma harmoniosa. Os povos indígenas tradicionalmente viveram e continuam vivendo a partir dos potenciais existentes em seu ambiente.

Na época em que ainda não se obtinha os saberes do cultivo da prática da agricultura, tais povos, se adequavam as suas reais necessidades através da cultura nômade, que nada mais era do que a busca de locais propícios para a sobrevivência de suas comunidades, para possibilitar melhores condições de vida.

Assim a busca de locais que tivessem a existência de água potável, abundancia em peixes, frutas e raízes e caças, eram sempre lugares de interesse das comunidades indígenas, sendo atribuída abstratamente para cada povo um tipo de demarcação na memória de cada um dos indivíduos que compunha tal etnia.

Os valores da terra para as comunidades indígenas e a sociedade ocidental se diferem. Para os “brancos” o significado da terra está atrelado a interesses econômicos. Assim a terra só serve para que as pessoas possam produzir, escoar a produção e a obtenção de lucro para poucas pessoas.

Enquanto que para os povos indígenas a terra tem um significado mais afetivo, de memória, sustentabilidade, identidade, espiritualidade e garantia do princípio da vida.

Para as populações indígenas, a terra é a principal condição para que se garanta a reprodução física e cultural dos povos. Locais para morar, plantar, caçar, pescar, praticar as manifestações culturais.

Efetivar a saúde e educação diferenciada só podem se realizar se a comunidade indígena tiver a posse da terra. Não é necessário que se desmate todas nossas matas para que possamos desenvolver as atividades necessárias para nossa sobrevivência.

Para os “brancos” a terra tem que ser totalmente desmatada, para que as pessoas possam construir suas casas, fabricas, barragens, ou mesmo cultivo de monoculturas.

A resistência indígena no Brasil se caracterizou por ser contrária as formas de usurpação da mãe terra. Para isso muitas etnias tiveram que desaparecer (serem exterminadas) e outras tiveram sua população reduzida para garantir que nossos territórios não fossem totalmente tomados.

A política do colonialismo e da integração, pregava unicamente a perca do direito aos territórios indígenas para daí se configurar num país de uma cultura só, negando por tanto a existência da diversidade étnico-cultural de nosso país.

As ocupações desordenadas pelos colonizadores nos territórios indígenas, acabaram descaracterizando boa parte de nossas terras, extraindo além do espaço territorial, espaços de significados importantes para nossos povos.

A redução dos territórios e povos indígenas no Brasil na época da colonização ocasionou em um problema social extremamente grave, que afeta as comunidades indígenas contemporânea.

Se não se tem terra não se tem vida, e é justamente nesse cenário social de descaracterização social e de fragilidade nas identidades indígenas, que vários povos estão vivendo hoje.

A falta de terra põe em risco inúmeras etnias indígenas, inclusive as que ainda não tiveram contatos com a sociedade ocidental, desde a questão da sustentabilidade, até confrontos constantes com posseiros.

A vunerabilidade cultural, o risco de perca das línguas indígenas, a desnutrição, a violência nas comunidades indígenas, já é realidade no cenário nacional.

O reconhecimento de direito sempre foi pleiteado pelo movimento indígena organizado e apoiadores junto às estruturas de poder.

Com relação a terra, os povos indígenas conseguiram avançar no reconhecimento do direito.

Somente através da aprovação da C.F(Constituição Federal) de 1988 os povos indígenas, puderam pressionar e presenciar o reconhecimento desse direito dentro do texto constitucional.





O artigo 231 avançou significativamente nessa área. Reconhecendo aos povos indígenas o seguinte direito: “São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”.

Para nós povos indígenas esse fato histórico não só reconheceu o direito a terra, mas também institucionalizou na forma da lei a importância que os povos indígenas tem para a preservação ambiental e da necessidade da obtenção da posse da terra para que as populações indígenas possam efetivamente garantir sua reprodução física e cultural, por tanto negar a terra ao índio é sem dúvida nenhuma negar o direito a vida.

O mau uso dos recursos naturais pelo Homem, remete para o mundo todas as vulnerabilidades sociais já existentes (falta de moradia, emprego, etc.), tanta atitude impensada hoje põe em risco nossa casa.

(...)
A preocupação com nossa casa mais uma vez está saindo das aldeias indígenas.

Se já não nos bastasse garantir a preservação do meio em que vivemos agora somos responsáveis em disseminar esse costume tão obvio que é zelar pelo lugar em que vivemos.





Tudo isso, só serve para mais uma vez confirmarmos o quanto que o mundo é desigual e insensato, por outro lado é também reconhecida à importância das populações indígenas para garantir o futuro da humanidade, estamos fazendo nossa parte, agora só falta a do estado que é garantir o direito daqueles que sempre mereceram ter a posse da terra, que tem o mesmo significado de ter o cuidado com a terra.


Texto de Weibe Tapeba
Membro da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena – CNEEI




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O olhar é interior - Caboclo Cobra Coral








Fazer com que o outro mude é muito mais difícil que mudar a si. Entretanto muitos ainda agem no sentido da primeira opção e desbravam caminhos tortuosos na direção do ego alheio.

É necessário ter boa vontade consigo antes de promovê-la ao próximo. Enxergar a própria limitação é o início de um bom serviço ao ser humano e toda humanidade.

Quando enxergar em outro irmão defeitos que lhe trazem incomodo, permita-se observar se não deve ti mesmo consertar seu olhar para aquela pessoa doente, que antes de mais nada é um necessitado de compaixão.

O médico para atuar deve estudar e assim passar por avaliações até que esteja apto para trabalhar em prol da saúde alheia. Entretanto o ótimo médico além de estudar, procura agir de modo saudável e principalmente tem fé naquilo que diz.

Se quiserem ser médicos da alma deverão sem dúvida estudar sobre os ensinamentos deixados por Jesus e vivenciá-los de forma disciplinada e amorosa.

Sabemos que só enxergamos e nos incomodamos com aquilo que conhecemos, e mais, aquilo que vivenciamos.

Ter amor e perdão é a matéria prima de que precisa a humanidade para prosperar espiritualmente e ajudar ao próximo.

Tenham sempre em mente que Jesus nos recomendou orar e vigiar, mas vigiar a nós mesmos e orar por todos.

A luz do Cristo está na Terra, basta acessá-la através das vibrações do amor.


Caboclo Cobra Coral
Psicografado pelo médium Gilberto Tortorella



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SUMÉ - SÃO TOMÉ








Inscrições encontradas em Ingá na Paraíba, atribuídas a Sumé



• Sumé é uma figura misteriosa, que surgiu "antes do Descobrimento - e ensinou aos índios o cultivo da terra e as regras morais". Uma curiosidade especifica de Sumé é ele ser um branco e ter desaparecido "caminhando sobre as águas do mar", em direção à Índia. As características apontam para um pajé de raça branca.
O mito Sumé é uma incógnita. Figura relatada em toda a extensão do Continente Americano. Sabe-se que possui muitos nomes: Sumé, Xumé, Pai Abara entre nossos índios, Quetzalcoatl na América do Norte, Sommay entre os Caríbas; no Haiti era Zemi, na América Central era Zamima, e muitos outros... mas a figura é sempre a mesma, Homem branco, longa barba, saía das águas para ensinar o cultivo da mandioca e muitas outras técnicas.
Fora ouvido e estimado. Quisera legislar, moralizar, condenando a antropofagia e a poligamia, mas os homens aborrec iam-se com isso.

Em alguns lugares incendiaram a cabana que estava preso; em outros, dispararam-lhe dezenas de flechas. Também quiseram escalpelá-lo. Sempre escapando ileso dos atentados sofridos, aborrecido com o procedimento traiçoeiro dos beneficiados, retirou-se, andando de costas sobre as águas do mar, lago ou do grande rio de onde viera anteriormente. Desaparecia tão misteriosamente quanto aparecera. Deixou em todas as nações, a promessa de que voltaria em melhores tempos para o cumprimento final da missão que recebera.
Conhecido como Bep-kororoti, pelos Kaiapó, é um herói mítico, que transmitiu muitos conhecimentos aos índios, disciplinando-os, ensinando-lhes a construir casas, a se organizar e a cultivar frutas, verduras e legumes. Esse deus herói usava roupas semelhantes a um escafandro e uma "borduna trovejante".


"... disseram que, de acordo com a informação que possuíam, era um homem alto com roupa branca que chegava até seus pés, e que sua veste tinha um cinturão, e trazia o cabelo curto com uma tonsura na cabeça, à maneira de um padre, e que carregava na mão uma certa coisa que parecia lembrar o breviário que os padres trazem nas mãos.” (Betanzoz - 1.551)

"Misterioso personagem que veio do mar (...) e nessa direção desapareceu depois que, molestado por alguns, se desgostou e deu por terminada a sua missão de legislador e mestre de todos eles” (Hans Stadem - Viagem ao Brasil)

"... pregou-lhe a palavra do bem e censurou sua imoralidade. Furiosos por verem seus excessos censurados, os camponeses se apoderaram de Tonapa, flagelaram-no e amarraram-no a três pesadas pedras. Subitamente, três magníficas águias desceram dos céus; com o bico serrado, cortaram as amarras e libertaram o prisioneiro. Tornou à praia, estendeu seu manto sobre as ondas e, vagando nele, como num barco, rumou para a praia...” (Siggfried Huber - O segredo dos Incas)

"... 'o antigo', cabeleira ruiva e estatura maior que a dos outros homens, anda à tona nas águas ou sobre as nuvens. Essa criatura portentosa ensinou os homens a servirem-se da natureza, ‘inventou’ o bodoque e as danças e fere com flecha invisível, o coração dos inimigos." (Arthur Ramos - Introdução à Antropologia Brasileira)

Foram vistas por Nóbrega, Montoya e muitos outros, pegadas em rochas, que dariam o testemunho da passagem e das viagens do apóstolo São Tomé ao longo do caminho. Estas pedras gravadas em baixo relevo e sobrepintadas, identificam pontos importantes do caminho pré-histórico. Inscrições no mesmo estilo são encontradas na Bolívia e Peru, atestando a presença do herói mítico, que partiu do Brasil em direção aos Andes.

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Glossário:

1. Antropofagia: prática regular e institucionalizada de consumo de carne humana por seres humanos, ger. com caráter ritual; canibalismo. [Sin. ger.: androfagia.]

2. Bodoque: forquilha de madeira ou de metal, munida de elástico, com que se atiram pequenas pedras. [Sin. (em vários pontos do Brasil): atiradeira, baladeira, baleeira, beca, badoque ou badogue, estilingue, funda, peteca, seta, setra.]

3. Breviário: livro das leituras e orações cotidianas, prescrito pela Igreja Católica a sacerdotes e religiosos.

4. Kaiapó: indivíduo dos caiapós [ou (etnôn. bras.) *Kayapó], povo indígena formado pelos subgrupos *A'ukre, *Gorotire, *Kararaô, *Kikretum, *Kokraimoro, *Kubenkokre, *Kubenkragnotire, *Kuben-kran-ken, *Mebegnokre, *Mekragnotire, *Metuktire, *Pukanu e *Xikrin, e que habita as margens do médio rio Xingu e seus tributários, em MT e PA.

5. Poligamia: união conjugal de um indivíduo com vários outros, simultaneamente.

6. Tonsura: corte circular, rente, do cabelo, n a parte mais alta e posterior da cabeça, que se faz nos clérigos; cercilho, coroa.





SUMÉ - AS PEGADAS DE SÃO TOMÉ


A passagem de São Tomé pela Bahia, aqui deixando marcas indeléveis de suas pegadas, é a lenda mais antiga que possuímos. A seu respeito, em cartas enviadas para Portugal, falaram, com largueza, os padres da Companhia de Jesus, a começar por Manuel da Nóbrega. Antes deles, porém, a Nova Gazeta Alemã, documento de 1514 ou 1515, já noticiara haver entre os primitivos habitantes do Brasil uma recordação da presença de São Tomé no interior do país, onde cruzes indicavam a passagem do denominado Deus pequeno [1]. À vaga declaração acima mencionada, seguiu-se um comunicado do padre Nóbrega, poucos dias após sua chegada à Baía de Todos os Santos. Consta da carta escrita ao padre mestre Simão, datada de 15 de abril, onde se lê o seguinte "Também me contou pessoa fidedigna que as raízes de que cá se faz o pão, que São Tomé as deu, porque cá não tinham pão nenhum. E isto se sabe da fama que anda entre eles, quia patres corum nuntiaverunt eis. Estão aqui perto umas pisadas figuradas em uma rocha, que todos dizem serem suas. Como tivermos mais vagar, havemo-las de ir ver" [2].


Havia as pegadas de Tomé na Bahia e também lá para as bandas de São Vicente. É a nova informação aparecida numa outra epístola do sacerdote inaciano endereçada ao seu mestre dr. Navarro em agosto de 1549. Cá estivera o santo com um companheiro e deixara alimentos ainda usados pelos selvagens. Além dos alimentos, também ficaram os vestígios da presença. "Têm notícia igualmente de São Tomé e de um seu companheiro e mostram certos vestígios em uma rocha, que dizem ser deles, e outros sinais em São Vicente, que é no fim desta costa. Dele contam que lhes dera os alimentos que ainda hoje usam, que são raízes e ervas e com isso vivem bem; não obstante dizem mal do seu companheiro, não sei porque, senão que, como soube, as flechas que contra ele atiravam voltavam sobre si e os matavam" [3]. Era natural que Nóbrega tivesse curiosidade em ver co m os próprios olhos as pisadas de Tomé, o que seria útil à obra de catequese na qual estava empenhado, evidentemente.

Era um bom meio de comunicação com os aborígines. Discípulo do próprio São Tomé, o sacerdote queria também ver pra crer... Numa "informação das terras do Brasil", considerada por Alfredo do Vale Cabral como de 1549, Nóbrega relata sua visita ao local das pegadas. "Dizem eles que São Tomé, a quem eles chamam Zomé", são palavras da informação, "passou por aqui, e isto lhes ficou por ditos de seus passados e que são pisadas sinaladas junto de um rio; as quais eu fui ver por mais certeza da verdade e vi com os próprios olhos, quatro pisadas mui sinaladas com seus dedos, as quais algumas vezes cobre o rio quando enche; dizem também que quando deixou estas pisadas ia fugindo dos índios, que o queriam frechar, e chegando ali se lhe abrira o rio e passara por meio dele a outra parte sem se molhar e dali foi para a Í ndia. Assim mesmo contam que, quando o queriam frechar os índios, as frechas se tornavam para eles, e os matos lhe faziam caminho por onde passasse; outros contam isto como por escárnio [4].

Outros inacianos, seguindo o exemplo do primeiro provincial, visitaram as pegadas de São Tomé, nos anos seguintes. Adquiriu-se o costume das romarias ao local das pisadas, aventou Alberto Silva, cujo estudo sobre o assunto é completo. Lá estiveram, em agosto de 1552, os meninos do Colégio de Jesus na Bahia, conforme relata correspondência remetida ao padre Pedro Domenech, incluída nas Novas cartas jesuíticas [5]. Viram as pegadas e louvaram a Deus por aquele mistério. É o que está escrito. "Ao chegar, era meia maré baixa, vimos as pegadas, que as cobre a maré cheia, que estão em pedra muito dura, e as pegadas marcadas como de um homem que fugindo, resvalara e a pedra deu lugar a seus pés, como se fosse barro, assim se baixou e humilhou. Estando nos aí um pedaço dando louvores a Nosso Senhor por aquele mistério, porque Nosso Senhor não permite nada debalde, senão para aviso e exemplos deles, e nosso, e para sinal do que Nosso Senhor faz pelos seus" [6].

Em setembro do mesmo ano, Vicente Rodrigues manda dizer para Lisboa que levando uma cruz fizera uma procissão até as pegadas de São Tomé [7]. Pela mesma época o padre Francisco Pires escrevera dizendo que o irmão Vicente Rodrigues estava quatro léguas da Bahia a dentro "junto donde dizem estar as pegadas de São Tomé" [8]. Vale Cabral anotando o texto, esclareceu encontrar-se Vicente Rodrigues em Itapoã [9]. As pegadas, portanto, ficavam na costa brava, nas praias de Itapoã. É o ponto de vista sustentado por Alberto Silva, que ele viu reforçado numa carta de sesmaria do século XVIII, cujos limites começavam na "pedra chamada de São Tomé na dita Itapoã ao longo do mar correndo para o Rio Joanes..." [10]. Simão de Vasconc elos, invocado igualmente pelo autor de A lenda de Sumé na historiografia baiana, fornece seu depoimento pessoal no mesmo rumo.

Eis o trecho do jesuíta, tal como o transcreveu Alberto Silva: "Nesta Bahia fora da barra, em outra praia semelhante, distante como duas léguas da cidade, onde chamam Itapoã, vi com meus olhos, e vêem cada dia os nossos padres, e o povo todo em outro pedaço de recife ou lajem, uma pegada de homem perfeitíssima, nítida de impressão na substância da pedra e a parte posterior para a terra, a anterior para a água. A esta vindo eu de uma aldeia de índios notei que concorriam todos os que trazíamos em nossa companhia ainda os que iam com cargas. Perguntei a um deles a causa (que eu era novo no caminho) responderam-me todos "Pai Sumé piquera angãba sé: é que está ali a pegada de São Tomé". Então lhes pedi me levassem a elas. Vi a pegada que disse, de pé descalço, esquerdo, assim e de maneira que se fora impre sso em barro brando. Tem-nos os índios em grande veneração, nenhum passa, que a não visite, se pode; e tem para si que pondo-lhe o pé, fica melhorado seu corpo todo. Não é esta parte freqüentada como a outra de São Vicente, dos portugueses, porque está a nova parte do tempo coberta com o mar e só aparece em vazantes menores" [11].

O culto de que falam os jesuítas, para o qual muito parecem haver concorrido, chegou até o século XX. Silva Campos e Alberto Silva dele nos deram pormenorizadas informações na fase contemporânea. Servindo-se de um trecho de José Álvares do Amaral, constante do seu Resumo cronológico e noticioso da província da Bahia, Silva Campos fez datar de 21 de dezembro de 1602 a descoberta do pé humano gravado numa pedra, no lugar denominado São Tomé, no caminho das Armações, freguesia de Brotas, cultuado como se fora a passada do discípulo de Cristo [12]. "A pedra", declara Álvares do Amaral, que escreveu n o século XIX, "com o sinal do pé ainda existe naquele local junto à praia, ficando às vezes coberta pelas areias, que trazem as marés grandes" [13].

A versão do Resumo cronológico faz coincidir a descoberta da pegada, 21 de dezembro, com o dia em que a Igreja Católica celebra a festa de São Tomé, pouco antes do Natal de Cristo, donde se dizer "entre tu e Tomé, três dias é". A coincidência está a indicar, evidentemente, a influência que a Igreja, decerto através dos padres da Companhia, teria tido na determinação da data, uma vez que, segundo vimos, muito antes de 1602, tido como o ano da descoberta da pedra já era largamente conhecida a existência das pegadas. O dia, supomos, valeria, apenas, para oficializar o culto popular.

Depois da citação e comentário da nota de Álvares do Amaral, o folclorista e historiógrafo João da Silva Campos reportou-se ao número de A Tarde, vespertino baiano, de 14 de fevereiro de 19 16, referente ao assunto. Humildes pescadores haviam erguido, há muito tempo, uma palhoça encimada por uma cruz, com honras e prestígio de templo de devoção bem defronte da conhecida "pedra de São Tomé". Ali, todos os anos, nos primeiros dias de fevereiro, moradores circunvizinhos e romeiros faziam suas orações, com acompanhamento de harmônicas violas, cavaquinhos e pandeiros.

Os mais velhos asseguravam que São Tomé andara por ali em tempos imemoriais e certa feita, recentemente, salvara pescadores surprendidos por tremenda borrasca. À reportagem de 1916 juntou Silva Campos sua observação pessoal em 1930, quando, na véspera da festa, iam os fiéis buscar a imagem de São Tomé na matriz de Itapoã levando-a para a palhoça à moda da ermida. Depois da reza, campeava a folia, minuciosamente descrita pelo cronista baiano [14].

Alberto Silva que, como já declaramos, escreveu o melhor estudo a respeito do culto de São Tomé na Bahia, ensina, estribado nas pesquisas que empreendeu, que em três locais aparecem as pegadas de Sumé na costa brava. O primeiro, visitado por Nóbrega, onde ficaram assinaladas quatro pisadas do santo junto a um rio; o segundo, descoberto por um pescador, com uma só pegada, referida por Simão de Vasconcelos, fotografada pelo jornal A Tarde em 1916 e conhecida de Silva Campos e, finalmente, no lugar denominado Unhão, já no começo de Itapoã, diante do cruzeiro ali erguido, encontrado pelo citado Alberto Silva [15].

Recapitulamos a história das pegadas de Itapoã; resta-nos rememorar as notícias sobre as pisadas de São Tomé em Paripe, primeiramente mencionadas por Gabriel Soares de Sousa. "Do porto do Paripe", disse o cronista do primeiro século, "se vai a terra afeiçoando à maneira de ponta lançada ao mar e corre assim obra de uma légua, onde está uma ermida de São Tomé em um alto, ao pé do qual ao longo do mar estão umas pega das assinaladas em uma lájea, que diz o gentio, que diziam seus antepassados que andara por ali havia muito tempo, um santo, que fizera aqueles sinais com os pés" [16]. Na era do seiscentos, o padre Simão de Vasconcelos, inquestionavelmente um excepcional divulgador de lendas, encontrou na tradição oral a notícia da passagem de São Tomé pela Bahia, os serviços que prestara ao povo e as pegadas que imprimiu numa pedra em Paripe, numa localidade que, em homenagem ao santo tomou a denominação de São Tomé de Paripe. Mas não viu as duas pegadas.

"As pegadas do santo, que no princípio disse, não vi, nem hoje se enxergam; vi a lajem e nela me mostraram os antigos naquele lugar a parte aonde estiveram e aonde os viram os seus olhos no que não pode haver dúvida alguma" [17]. Reapareceram as pisadas, admitiu Alberto Silva, certamente em outro ponto, consoante descrição de Melo de Morais, que escreveu: "ao longo da praia de Paripe em um alto uma ermida consagrada a São Tomé ao pé da qual existe uma laje com umas pegadas assinaladas e perto uma fonte que, dizia o gentio ter ouvido antepassados andara por ali um santo e que havia muito tempo fizera aqueles sinais com o pé" [18]. Viu-os, ainda, muito apagados, em 1926, o historiador Teodoro Sampaio. No ano seguinte, a "pedra da Toca", onde estavam os sinais foi cortada pela estrada de rodagem. Desapareceram, assim, os famosos sinais que Alberto Silva procurou infrutiferamente, deparando apenas a fonte milagrosa que brota do outro penedo junto ao das pegadas [19].

José Calasans Brandão da Silva et alii
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Notas

1. Silva, Alberto. A lenda de Sumé na historiografia baiana. Bahia, Centro de Estudos Baianos, 1954, pub.28, p.4. — O professor Frederico Edelweis escreveu, sobre a matéria, uma interessante comunicação, ainda inédita, lida no Congresso do V Centenário do nascimento de Pedro Álvares Cabral, no Instituto Histórico Brasileiro.

2. Nóbrega, Manuel da. Cartas do Brasil. Rio de Janeiro, Of. Industrial Gráfica, 1931, p.78.

3. Nóbrega, Manuel da. Op cit. p.91.

4. Nóbrega, Manuel da. Op. cit. p.101.

5. Leite, Serafim. Novas cartas jesuíticas (De Nóbrega a Vieira). São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1940, p.141.

6. Leite, Serafim. Op. cit. p.145.

7. Cartas avulsas 1550-1568. Rio de Janeiro, Oficina Industrial Gráfica, 1931, p.135.

8. Cartas avulsas, p.130.

9. Cartas avulsas, p.132.

10. Silva, Alberto. Op. cit., p.8.

11. Silva, Alberto. Op.cit, p.8

12. Campos, João da Silva. "Tradições baianas". Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. 1930, nº 56, p.521.

13. Campos, João da Silva. Op. cit, p.521.

14. Campos, João da Silva. Op. cit., p.522.

15. Silva, Alberto. Op. cit, p.10

16. Souza, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587. Lisboa, Liv. Portuguesa, 1938, t.2, p.513.

17. Silva, Alberto. Op. cit., p.11.

18. Silva, Alberto. Op. cit, p.11

19. Silva, Alberto. Op. cit., p.12.

(Silva, José Calasans Brandão da et alii. Folclore geo-histórico da Bahia e seu Recôncavo. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura / Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, 1972, p.7-12)

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Glossário:

1. Inaciano: pertencente ou relativo aos jesuítas, ou próprio deles.


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24/02/2014

AS AMAZONAS






..Em 1542, Frei Gaspar de Carvajal, escrivão da frota espanhola de Francisco Orellana, ao penetrar num enorme rio brasileiro, que ele chamou de "Mar Dulce", encontrou mulheres guerreiras, tendo sido por elas atacado.

O medo foi tanto que o frade escriba, ao vê-las jovens, belicosas, nuas, chegou a afirmar que queimavam um dos seios para melhor manejar o arco e a flecha. Confundiu-as com o mito grego das Amazonas.

E o grande rio foi batizado como: - o rio das Amazonas, rio Amazonas.

Contam que no Reino das Pedras Verdes somente vivem mulheres - as Amazonas. Trabalham muito. Caçam, pescam. Fazem cerâmica. Redes, tecido, enfeitados de penas. Trabalham na roça. Fazem armas. É uma comunidade onde todos possuem tudo em comum.

A direção está nas mãos de uma das Amazonas, que exerce também função religiosa, dirigindo as festas. Seu reinado é curto, somente as virgens de vinte a vinte e cinco anos podem disputar a chefia das Amazonas.

A cada cinco luas cheias, no mês de abril (cinco anos), há renovação do comando das Amazonas. As Amazonas fazem um amuleto famoso - o muiraquitã. É uma raridade, os próprios índios afirmam que não sabem como fabricá-lo. Dizem que o muiraquitã vem de um lugar muito distante, da terra das mulheres sem marido, do país das mulheres guerreiras ...

Em um lago enorme - jaci-uaruá, no mês de abril de todos os anos, quando a lua cheia aparece, as Amazonas mergulham no lago e do fundo trazem um punhado de barro.

Com este barro limoso modelam figuras: peixes, rãs, tartarugas. O mais comum é a rã, símbolo de fertilidade. O amuleto é perfurado para ser usado no pescoço.

O barro tem que ser modelado depressa, ainda debaixo da água, porque o luar faz endurecer o limo verde. Nesta mesma noite elas recebem a visita dos homens de uma tribo vizinha. É a noite nupcial.

Só os índios que já lhe deram uma filha recebem o muiraquitã. Os que lhes deram um filho terão que levar o menino para a sua aldeia porque entre as Amazonas só vivem mulheres.

Os índios contam assim.


Texto de Alceu Maynard Araújo
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BRASIL, histórias, costumes e lendas - São Paulo: Editora Três Ltda., s/data





AS AMAZONAS DA AMAZÔNIA


(AS GUERREIRAS BRANCAS)





moça WaiWai



"Estamos em 1542. Sob as ordens do Capitão Francisco de Orellana, cinquenta e sete espanhóis descem — e esta é a primeira vez desde a Conquista que se efetua essa aventura — o Grande Rio que alguns chamam Maranhão e que, já se sabe, vai lançar suas águas no Atlân­tico.

Após alguns dias, acampam na ilha dos Tupinambás, que em nossos mapas denominamos de Santa Rita. Mais uma vez, são atacados pêlos indígenas. Porém, hoje, eles não estão sozinhos.

Vocês devem saber, escreve o Padre Gaspar de Carvajal , capelão da expedição, que estes (os atacantes) estão sujeitos e tribu­tários das Amazonas.

Ao saberem da nossa vinda, foram lhes pedir socorro e então apareceram aquelas dez ou doze que vimos.

Elas vinham na frente de todos os índios, como se fossem capitães, e combatiam com tamanho ardor que os índios nem ousavam tentar fugir.

Aquele que o fizesse, elas o matavam de pancadas diante de nós e esta é a razão por que os índios se defendiam tanto.

Essas mulheres são muito alvas e altas.  Têm cabelos longos, penteados em tranças ou coque.  São tremendamente musculosas e andam nuas em pelo,cobrindo apenas suas vergonhas.

Usam arco e flechas e são tão valentes no combate que valem por dez índios."





"Peço a todos aqueles que venham a ler esta narrativa para acreditarem em mim...

Digo isto pensando naquilo que outras pessoas possam vir a contar e que talvez não se atenham tanto à verdade como seria de desejar."

O Padre de Acuna dedica diversas páginas da sua narrativa às Amazonas e baseia-se, para tanto, no testemunho dos índios Tupinambás:

"É também através do que nos foi contado pêlos Tupinambás que pudemos confirmar as abundantes notí­cias recolhidas ao longo de todo o rio a respeito das Amazonas ... São tão numerosos e sólidos os fundamentos encontrados para afirmar que existe uma província de Amazonas no rio, que seria não ter fé no homem se não lhes déssemos crédito."






"Essas mulheres masculinizadas vivem entre altas montanhas e picos imponentes, chamando-se Yacamiaba aquele que se destaca mais entre todos os outros.

São mulheres de grande coragem que sempre se abstêm de qualquer contato habitual com os homens, e ainda que eles venham às suas terras uma vez por ano, de acordo com elas, são recebidos com armas, arcos e flechas."

"As meninas que nascem desses acasalamentos ficam com elas e ali são educadas, pois são elas que deverão perpetuar a coragem e os costumes da nação. Porém não se tem tanta certeza a respeito da sua atitude para com os filhos homens.

Um índio que, criança ainda, acompanhou seu pai até essa entrada afirmou que elas devolvem os filhos aos pais quando, no ano seguinte, eles ali voltam. Porém há outros que dizem que elas os matam assim que verificam o seu sexo, o que parece ser mais exato pois esta é opinião corrente".




De onde vinham essas mulheres brancas?


"Contamos apenas com o testemunho de um velho índio Coari a este respeito, como o relata La Condamine, porém isso é confirmado, indiretamente, pelas des­cobertas de Barros Prado.

Durante a primeira metade do século XVII, o avô desse índio viu um grupo de Amazonas atravessar o Maranhão, à altura do rio Cuchivara — o atual Purus - e subir rumo norte.

O fato é que essas mulheres vinham do rio Caiamé, situado a oeste, entre o Purus e o Juruá. Esses rios, que delimitam uma enorme extensão de florestas, ainda hoje quase que inexplorada, têm, ambos, suas nascentes no Peru, distantes apenas uns cinquenta quilómetros uma da outra, num ponto da serra de Urubamba situada em Unha reta a 300 km ao norte de Cuzco.

Ora, as "tatuagens" das cunhantensequimas do Jacicurá são indiscutivelmente semelhantes aos desenhos da civilização de Tiahuanaco.

Esta origem peruana explica também os rumores que corriam a respeito da baixela em ouro e prata das mulheres sem marido e sobre suas casas de pedra. "

"Portanto não há dúvida: a retirada das Amazonas ocorreu por volta de 1290.

Na Verdade, foi nesta data que os Diaguitas do cacique Kari, vindos de Coquimbo, no Chile, atacaram os Vikings que tinham sua capital em Tiahuanaco .

Com a exceção de pequenos grupos que conseguiram escapar, uns pelo Pacífico, outros na montanha e na selva, os homens foram degolados pêlos vitoriosos.

Mas as mulheres tiveram suas vidas salvas. Algumas, provavelmente, foram tratadas pêlos indígenas como presas de guerra.

É normal que outras tenham conseguido escapar e tentado alcançar a Amazónia onde, como observaremos mais tarde, os Vikings tinham algumas colônias.

As mulheres nórdicas — nas alta Idade Média, na Europa — acompanhavam de boa vontade os homens do seu clã nas guerras e muitas vezes participavam de seus combates.

As sagas escandinavas estão repletas de façanhas heróicas das skjòld-meyar, ou Virgens do Escudo, que já foram comparadas às Amazonas por diversas vezes ."

Essa é a origem dessas guerreiras mulheres Vikings na América.


Os Vikings no Brasil
Jacques de Mahieu



Etimologicamente, Amazonas significa "sem seios"; de A-Mazós, mas os Tapajós as conheciam por "cunhantensequina" ou "mulheres sem marido"





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