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06/04/2012

Os Astecas - O nascimento de um povo





A Cidade de Tenochtitlán retratada por Diego Rivera em "La gran Tenochtitlán"

Perseguidos pelo soberano de Culhuacan, os Astecas perambulava por um território pantanoso, até que um de seus sacerdotes viu uma águia pousada em um cacto devorando uma serpente. Era aquele o sinal, ali eles deveriam se estabelecer.

Foi naquele pântano alagadiço que os Astecas construíram sua capital, uma cidade que se tornaria única em seu tamanho e sofisticação: Tenochtitlán.


É verdade que a História Asteca é um pouco anterior a fundação de Tenochtitlán ocorrida em 1325. Antes da construção daquela cidade os astecas eram nômades e exerciam sua atividade guerreira como mercenários contratados.

Os Astecas tinham seus deuses e sua religião, e muito embora tivessem se inspirado nos costumes religiosos dos antigos toltecas e tivessem incorporado muitos dos seus deuses, foi essa religião criadora de muitos problemas para os Astecas. Um exemplo disso foi o exílio imposto a eles nos alagadiços arredores do lago Texcoco.

Após celebrarem o casamento entre a filha de Coxcox, rei dos Culhuacan e o deus Huitzilopochtli-Mexitli, o rei mandou exterminar todos os Astecas.

A explicação é simples, para realização do casamento, a princesa deveria ser sacrificada, quando o rei viu sua filha, ele viu apenas a sua pele cobrindo o corpo de um sacerdote Asteca, o que provocou a ira do monarca.

Os Astecas só sobreviveram a extinção, pois Coxcox julgou que seus oponentes não sobreviveriam nas pantanosas terras de seu exílio.

O rei subestimou seus adversários, pois além de sobreviverem, os Astecas, a partir de Tenochtitlán, a maior cidade do mundo, iriam organizar um fabuloso império.






A Bandeira do México contém a figura da águia comendo a serpente em cima de um cacto em homenagem ao antigo Império Asteca.

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Bibliografia -


LONGHENA, Maria. O México antigo. Folio. 2006

Enciclopédia Seleções – O conhecimento na ponta dos dedos. Reader’s Digest. Rio de Janeiro. 2007

MARCILLY, Jean. A civilização dos Astecas. Otto Pierre Editores. Rio de Janeiro. 1978

Os astecas









No século XVI, a região centro-sul do atual território mexicano abrigava um conjunto de sociedades que hoje chamamos de astecas.


A principal cidade da região era Tenochtitlán, que começou a ser construída em 1325 sobre o lago Texcoco. A Cidade do México, atual capital mexicana, foi erguida sobre as ruínas de Tenochtitlán.


Essas cidades eram habitadas por diferentes povos, como os tlatelolcas culhuas e tepanecas.


Sua população falava línguas diversas, mas tinha em comum as técnicas utilizadas na agricultura, as relações comerciais e as crenças religiosas.


Outra característica comum às cidades dessa região era a cobrança de impostos a partir de guerras e alianças militares.


Os derrotados na guerra eram obrigados a pagar impostos aos vencedores sob a forma de escudos, esteiras, milho, feijão ou mantas de algodão.


Para se livrar dos impostos, os derrotados compunham novas alianças militares e entravam novamente em guerra.
Além da cobrança dos impostos, também ocorriam guerras por motivos religiosos, nas quais o objetivo era fazer prisioneiros para sacrificar aos deuses.


Quando os espanhóis chegaram à América, Tenochititlán era uma grande e populosa cidade, com cerca de duzentos mil habitantes. Suas ruas eram retas e amplas.


Tenochtitlán era cortada por dezenas de canais, por onde circulavam barcos carregados de mercadorias e aquedutos, que traziam água doce das montanhas.


Um lugar de destaque na capital dos astecas era o movimentado mercado central, que contava, inclusive, com armazéns onde os artigos era estocados.


Grande parte da riqueza de Tenochtitlán vinha, com certeza, dos pesados impostos cobrados aos povos vencidos.



A sociedade Asteca




No topo da pirâmide social estava o imperador, considerado semidivino. Ele tinha enorme poder e grande responsabilidade.


Em caso de uma seca prolongada, por exemplo, era de sua responsabilidade fornecer alimentação e roupa para as pessoas necessitadas.


Abaixo do imperador vinham os nobres. Eram eles, geralmente, que ocupavam os principais cargos administrativos, religiosos e militares.


Aqueles que seguiam a carreira das armas, os guerreiros, tinham enorme prestígio na sociedade asteca.


Inicialmente eram escolhidos entre os mais valentes. Com o tempo, a atividade começou a passar de pai para filho.


Os que se destacavam capturando um grande número de inimigos ingressavam em prestigiadas ordens militares, como a dos cavaleiros-águias, a dos soldados-do-sol ou a dos cavaleiros-jaguares.


 


 Na ilustração, o grande sacerdote de Tenochtitlán, responsável pelo culto na Grande Pirâmide, retornando à capital depois de consagrar um templo em uma cidade vizinha. Ele entra solenemente na cidade carregado em um palanquin.




Alguns elementos da nobreza seguiam o sacerdócio em escolas especiais chamadas calmecac. Os sacerdotes eram encarregados de cultuar os deuses e interpretar a vontade deles.


Como os sacerdotes do Egito antigo, acumulavam grande riqueza em terras e objetos preciosos. Isto graças às doações feitas pelo imperador e por particulares.


Outros nobres tornavam-se altos funcionários públicos. Estes não pagavam impostos e jamais faziam trabalhos manuais. Seus filhos tinham direito à educação especial, que os preparava para ocupar os melhores cargos no governo.


Abaixo dos nobres vinham os artesãos, que eram conhecidos por sua habilidade e requinte. Os ramos mais prestigiados eram a ourivesaria, a joalheria e o trabalho com plumas. Cada grupo de artesãos tinha a sua corporação, um bairro e um deus próprio.


O ofício geralmente passava de pai para filho.


Os artesãos trabalhavam nas suas próprias casas, ajudados por suas mulheres, ou nos palácios e residências dos grandes senhores. Cada grupo pagava um imposto com artigos de sua especialidade.


Em seguida vinham os comerciantes, com destaque para os atacadistas, especialmente os que comercializavam artigos de luxo.


Os comerciantes incentivavam os casamentos dos seus filhos com os filhos dos nobres a fim de ascender socialmente. Assim como os artesãos, eles transmitiam sua profissão aos filhos.


Já os agricultores e os soldados constituíam a maioria da população masculina asteca e dificilmente conseguiam melhorar de vida.


Os escravos, por sua vez, eram prisioneiros de guerra condenados pela justiça ou indivíduos que, para saldar uma dívida de jogo ou por terem se arruinado pela bebida, tinham se tornado escravos.



O tlachtli



Os astecas tinham grande paixão pelo esporte. Um de seus jogos preferidos era o Tlachtli.


O Tlachtli era um jogo de bola bastante popular entre os astecas e já era praticado antes pelos maias e pelos toltecas. Possuía características que lembram tanto o futebol quanto o basquete.


As partidas reuniam um público que aproveitava para fazer apostas.




( BOULOS JUNIOR, Alfredo. coleção História – Sociedade; Cidadania )




Religião Asteca


A divindade mais importante do panteão asteca era Huitzilopochtli, deus da guerra e do Sol. Segundo suas crenças, essa divindade teria guiado os astecas até o planalto do México, indicando-lhes onde deveriam construir Tenochtitlán.


Ao entrarem em contato com outros povos, eles incorporaram novas crenças e deuses, como Quetzacoátl, serpente emplumada, deusa da sabedoria e do conhecimento, e Tlaloc , deus da chuva e da agricultura.







Cerâmica, com características de Tlaloc,
deus asteca da chuva e da agricultura




Os astecas acreditavam que os deuses praticavam boas ações quando recebiam presentes e homenagens. Por isso realizavam sacrifícios – inclusive humanos – para agradar às divindades. Todos os anos, cerca de 10 mil a 20 mil pessoas eram mortas em rituais religiosos realizados no topo das pirâmides.


Em situações de calamidade, como a seca ou uma guerra, os astecas chegavam a imolar (sacrificar) esse número de pessoas de uma única vez. Os sacrificados assumiam um caráter quase divino, pois eram vistos como mensageiros enviados aos deuses.
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Lenda e História

Diz a lenda que os astecas eram um povo andarilho que habitava o norte da América. Certo dia, deixaram sua terra natal, chamada Astlán, e caminharam sem parar em direção ao sul. Eles já caminhavam havia anos quando avistaram uma águia empoleirada num cacto, que trazia uma cobra presa ao bico e a uma de suas patas. Os sacerdotes astecas consideraram aquela águia um sinal dado por seu deus, Huitzilopochtli, de que era ali que eles deviam se fixar e recomeçar a vida. E, segundo a lenda, foi isto o que fizeram.





 A Águia simboliza a ocupação das terras di vale do México pelos astecas e aparece na atual bandeira do México
Já para os historiadores, os astecas deixaram o norte da América em busca de terras férteis por volta do século XII. E, depois de uma longa caminhada, chegaram ao fértil vale do Anahuac, hoje vale do México, e ocuparam as ilhas ocidentais do lago Texcoco, pois as outras já eram habitadas. Numa dessas ilhas, no ano de 1325, os astecas ergueram a cidade de Tenochtitlán.
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Fonte:


Jacques Soustelle. Os astecas na véspera da conquista espanhola. São Paulo: Companhia das Letras/Círculo do Livro, 1990. p. 117-40.) 


( Gislane e Reinaldo. História. ensino médio  )

 



Astecas




Brasão de armas mexicano
mostrando o sinal para
a fundação da capital asteca.


Os astecas (1325 até 1521; a forma azteca também é usada) foram uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território correspondente ao atual México.

Na sucessão de povos mesoamericanos que deram origem a essa civilização destacam-se os toltecas, por suas conquistas civilizatórias, florescendo entre o século X e o século XII seguidos pelos chichimecas imediatamente anteriores e praticamente fundadores do Império Asteca com a queda do Império Tolteca.

Os astecas foram derrotados e sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis, comandados por Fernando Cortez.


História


O controle político do populoso e fértil vale do México ficou confuso após 1100. Gradualmente, os astecas, uma tribo do norte, assumiram o poder depois de 1200.

Os astecas eram um povo indígena da América do Norte, pertencente ao grupo nahua.

Os astecas também podem ser chamados de mexicas (daí México). Migraram para o vale do México (ou Anahuác) no princípio do século XIII e assentaram-se, inicialmente, na maior ilha do lago de Texcoco (depois todo drenado pelos espanhóis), seguindo instruções de seus deuses para se fixarem onde vissem uma águia pousada em um cacto, devorando uma cobra.

A partir dessa base formaram uma aliança com duas outras cidades – Texcoco e Tlacopán – contra Atzcapotzalco, derrotaram-no e continuaram a conquistar outras cidades do vale durante o século XV, quando controlavam todo o centro do México como um Império ou Confederação Asteca, cuja base econômico-política era o modo de produção tributário.

No princípio do século XVI, seus domínios se estendiam de costa a costa, tendo ao norte os desertos e ao sul o território maia.




Um guerreiro-jaguar do Codex Magliabecchiano.
O jaguar desempenhava um papel cultural na mitologia asteca.



Os astecas, que atingiram alto grau de sofisticação tecnológica e cultural, eram governados por uma monarquia eletiva, e organizavam-se em diversas classes sociais, tais como nobres, sacerdotes, guerreiros, comerciantes e escravos, além de possuírem uma escrita pictográfica e dois calendários (astronômico e litúrgico).

Ao estudar a cultura asteca, deve-se prestar especial atenção a três aspectos: a religião, que demandava sacrifícios humanos em larga escala, particularmente ao Deus da guerra, Huitzilopochtli; a tecnologia avançada, como a utilização eficiente das chinampas (ilhas artificiais construídas no lago, com canais divisórios) e a vasta rede de comércio e sistema de administração tributária.

O império asteca era formado por uma organização estatal que se sobrepôs militarmente a diversos povos e comunidades na Meso-América.

Segundo Jorge Luis Ferreira, os astecas possuíam uma superioridade cultural e isso justificaria sua hegemonia política sobre as inúmeras comunidades nestas regiões, o que era argumentado por eles mesmos.

No período anterior a sua expansão os astecas estavam no mesmo estágio cultural de seus vizinhos de outras etnias. Por um processo muito específico, numa expansão rápida, passaram a subjugar, dominar e tributar os povos das redondezas, outrora seus iguais.

É importante lembrar estes aspectos pelo fato de terem se tornado dominantes por uma expansão militar, e não por uma suposta sofisticação cultural própria e autônoma.

Apesar de sacrifícios humanos serem uma prática constante e muito antiga na Mesoamérica, os astecas se destacaram por fazer deles um pilar de sua sociedade e religião.

Segundo mitos astecas, sangue humano era necessário ao sol, como alimento, para que o astro pudesse nascer a cada dia. Sacrifícios humanos eram realizados em grande escala; algumas centenas em um dia só não era incomum.

Os corações eram arrancados de vítimas vivas, e levantados ao céu em honra aos deuses. Os sacrifícios eram conduzidos do alto de pirâmides para estar perto dos deuses e o sangue escorria pelos degraus.

A economia asteca estava baseada primordialmente no milho, e as pessoas acreditavam que as colheitas dependiam de provisão regular de sangue por meio dos sacrifícios.

Durante os tempos de paz, "guerras" eram realizadas como campeonatos de coragem e de habilidades de guerreiros, e com o intuito de capturar mais vítimas. Eles lutavam com clavas de madeira para mutilar e atordoar, e não matar. Quando lutavam para matar, colocava-se nas clavas uma lâmina de obsidiana.

Sua civilização teve um fim abrupto com a chegada dos espanhóis no começo do século XVI.

Tornaram-se aliados de Cortés em 1519. O governante asteca Moctezuma II considerou o conquistador espanhol a personificação do Deus Quetzalcóatl, e não soube avaliar o perigo que seu reino corria. Ele recebeu Cortés amigavelmente, mas posteriormente o tlatoani foi tomado como refém.

Em 1520 houve uma revolta asteca e Moctezuma II foi assassinado. Seu sucessor, Cuauhtémoc (filho do irmão de Montezuma), o último governante asteca, resistiu aos invasores, mas em 1521 Cortés sitiou Tenochtitlán e subjugou o império. Muitos povos não-astecas, submetidos à Confederação, se uniram aos conquistadores contra os astecas.


A Sociedade





Imagem totem de um guerreiro águia,
que junto com o guerreiro-jaguar,
compuseram primordialmente
as elites de guerra do antigo império asteca.



A sociedade asteca era rigidamente dividida. O grupo social dos pipiltin (nobreza) era formada pela família real, sacerdotes, chefes de grupos guerreiros — como os Jaguares e as Águias — e chefes dos calpulli. Podiam participar também alguns plebeus (macehualtin) que tivessem realizado algum ato extraordinário. Tomar chocolate quente (xocoatl) era um privilégio da nobreza. O resto da população era constituída de lavradores e artesãos. Havia, também, escravos (tlacotin).

Havia, na ordem, começando do plano mais baixo:


Escravos

maceualli ou calpulli (membro do clã)

artesãos e comerciantes

pochtecas (grandes comerciantes)

sacerdotes, dignitários civis e militares.



O imperador

Os imperadores astecas em língua Nahuatl eram chamados Hueyi Tlatoani ("O Grande Orador"), termo também usado para designar os governantes das altepetl (cidades). Os imperadores astecas foram os maiores responsáveis tanto pelo crescimento do império, como para a decadência do mesmo.

Ahuizotl, por exemplo, foi ao mesmo tempo o imperador mais cruel e o responsável pela maior expansão do império. Já Montezuma II (ou Moctezuma II), tendo sido um imperador justo e pacifico, foi também fraco em suas decisões, permitindo que os espanhóis entrassem em seus domínios, mesmo após a circulação de histórias de que estes teriam massacrado tribos, abalando fatalmente a solidez de seu império, e finalmente degenerando na sua extinção.

A sucessão dos imperadores astecas não era hereditária de pai para filho, sendo estes eleitos por um consenso entre os membros da nobreza.

Imperadores

Acamapichitli (1376–1395)

Huitzilíhuitl (1395–1417)

Chimalpopoca (1417–1427)

Itzcóatl (1427-1440)

Montezuma I (1440-1469)

Axayacatl (1469-1481)

Tízoc (1481-1486)

Ahuizotl (1486-1502)

Montezuma II (1502-1520)

Cuitláhuac (1520)

Cuauhtémoc (1520-1521)



A religião


Eram politeístas (acreditavam em vários deuses) e acreditavam que se o sangue humano não fosse oferecido ao Sol, a engrenagem do mundo deixaria de funcionar.


Os sacrifícios eram dedicados a Tlaloc




Estátua de Tlaloc 

nas imediações do Museu Nacional
 de Antropologia e História, 
na Cidade do México.


Huitzilopochtli ou Tezcatlipoca: o sacrificado era colocado em uma pedra por quatro sacerdotes, e um quinto sacerdote extraía, com uma faca, o coração do guerreiro vivo para alimentar seu Deus: Tlaloc: anualmente eram sacrificadas crianças no cume da montanha. Acreditava-se que quanto mais as crianças chorassem, mais chuva o Deus proveria.

No seu panteão havia centenas de deuses. Os principais eram vinculados ao ciclo solar e à atividade agrícola. Observações astronômicas e estudo dos calendários faziam parte do conhecimento dos sacerdotes.

O Deus mais venerado era Quetzalcóatl, a serpente emplumada. Os sacerdotes formavam um poderoso grupo social, encarregado de orientar a educação dos nobres, fazer previsões e dirigir as cerimônias rituais. A religiosidade asteca incluía a prática de sacrifícios. Segundo o divulgado pelos conquistadores o derramamento de sangue e a oferenda do coração de animais e de seres humanos eram ritos imprescindíveis para satisfazer os deuses, contudo se considerarmos a relação da religião com a medicina encontraremos um sem número de ritos.

Há referências a um Deus sem face, invisível e impalpável, desprovido de história mítica para quem o rei de Texoco, Nezaucoyoatl, mandou fazer um templo sem ídolos, apenas uma torre. Esse rei o definia como "aquele, graças a quem nós vivemos".


A medicina




Uma página do Libellus de Medicinalibus Indorum Herbis,

um herbário asteca composta em 1552 
por Martín de la Cruz etraduzido para o latim por Juan Badianus.


A antropologia médica situa o conhecimento mítico-religioso como forma de racionalidade médica se este se constitui como um sistema lógico e teoricamente estruturado, que preencha como condições necessárias e suficientes os seguintes elementos:

Uma morfologia (concepção anatômica);

Uma dinâmica vital ( "fisiologia");

Um sistema de diagnósticos;

Um sistema de intervenções terapêuticas;

Uma doutrina médica (cosmologia).


Pelo menos parcialmente, o sistema asteca preenche tais requisitos. Apresenta-se como teoricamente estruturado, com formação específica (o aprendizado das diversas funções da classe sacerdotal), o relativo conhecimento de anatomia (comparado com sistemas etnomédicos de índios dos desertos americanos ou florestas tropicais) em função, talvez, da prática de sacrifícios humanos mas não necessariamente dependente dessa condição. Há evidências que soldavam fraturas e punham talas em ossos quebrados.

A dinâmica vital da relação tonal (tonalli) – nagual (naualli) ou explicações do efeito de plantas medicinais são pouco conhecidos, contudo o sistema de intervenções terapêuticas através de plantas medicinais, dietas e ritos são evidentes. A doutrina médica tradicional por sua vez, também não é bem conhecida.

No sistema diagnóstico encontramos quatro causas básicas: Introdução de corpo estranho por feitiçaria; Agressões sofridas ao duplo (nagual); Agressões ou perda do tonal; e influências nefastas de espíritos (ares).

Em relação a esse conjunto de patologias, os deuses representavam simultaneamente uma categoria de análise de causa e possibilidade de intervenção por sua intercessão. Tlaloc estava associado aos ares e doenças do frio e da pele (úlceras e lepra) e hidropsia; Ciuapipiltin às convulsões e paralisia; Tlazolteotl às doenças do amor que inclusive causavam a morte (tlazolmiquiztli ); Ixtlilton curava as crianças; Lume, ajudava as parturientes; Xipe Totec era o responsável pelas oftalmias.

Plantas e técnicas


O tabaco e o incenso vegetal (copalli) estava presente em suas práticas. Seus ticitl (médicos feiticeiros) em nome dos deuses realizavam ritos de cura com plantas que contém substâncias enteógenas ( Lophophora williamsii ou peiote; Psylocybe mexicana, Stropharia cubensis - cogumelos com psilocibina; Ipomoea violacea e Rivea corymbosa - ololiuhqui) que ensinam a causa das doenças, mostram a presença de tonal (tonalli), e agressões infligidas ao duplo animal ou nagual (naualli) os casos de enfeitiçamento ou castigo dos deuses.

Entre os remédios mais conhecidos estava a alimentação dos doentes com dietas a base de milho e ervas tais como: passiflora (quanenepilli), o bálsamo-do-peru (Myroxylon peruiferum L. f.), a raiz de jalapa, a salsaparrilha (iztacpatli / psoralea) a valeriana o cihuapahtli ou zoapatle (Montanoa tomentosa), empregado como auxiliar do trabalho de parto com seu princípio ativo análogo à ocitocina associado à purhépecha (Manzanilla - Matricaria recutita L.) ou equivalente, com suas propriedades sedativas, entre centenas de outras registradas em códices escritos dos quais nos sobraram fragmentos.

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Bibliografia


Soustelle, Jacques. A vida cotidiana dos astecas, nas vésperas da conquista espanhola. MG, Itatiaia, 1962

Soustelle, Jacques. A civilização asteca. RJ, Zahar, 1970

Cervera. Marco. Breve historia de los Aztecas. Madrid, Es, Nowtilus, 2008 Google Livros Jul. 2011

Moctezuma, Eduardo Matos. Tenochtitlán. Mexico. Fondo de Cultura Econômica, 2006 Google Livros Jul. 2011

Cruz, Martín de la; Gates,William. An Aztec herbal: the classic codex of 1552. NY, Dover, 2000. Google Books Jul. 2011Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



HH

05/04/2012

NOTA DE FALECIMENTO





No último dia 29 de março, às 18 horas, meu irmão, Átila Nunes Neto, com apenas 39 anos de idade,fez sua passagem, abatido por um câncer.



Durante sete meses, quando soube da doença, meu irmão lutou como um bravo. Inteligentíssimo, Átila Nunes Neto era o orgulho de nossa família: justo, humano e dotado de uma extraordinária espiritualidade.



Átila Nunes Neto dedicou sua vida à dois objetivos: a luta contra a intolerância religiosa e à defesa do consumidor.



Somos uma família de espiritualistas e cremos que o espírito sobrevive.



Por isso, eu lhe peço, em meu nome e de meus pais, que pense sempre no Átila Nunes Neto como um ser humano que, na sua vida material, só deixou liçoes inesgotáveis de solidariedade ao seu semelhante.



ÁTILA A. NUNES


A luz é eterna para quem tem fé.


ÁTILA ALEXANDRE NUNES, ÁTILA NUNES FILHO e ÁTILA NUNES NETO (1973-2012)






PENSE EM MIM


Se você me conheceu e gostou de mim, não chore.


Se você conhecesse o mistério do céu onde me encontro.

Se você pudesse ver e sentir o que eu sinto.

Se pudesse ver os horizontes sem fim.

Se pudesse enxergar uma luz que tudo alcança...

Ninguém jamais choraria por mim.

Estou agora absorvido pelo encanto de Deus...

Pelas suas expressões de infinita beleza.

E nesta nova vida, as coisas do tempo passado são pequenas e insignificantes.

Conservo ainda todo o meu afeto por você e uma ternura que jamais pude revelar.

Em vida, todos nos amamos ternamente,

Mas tudo era então muito fugaz e limitado.

Vivo na serena expectativa de sua chegada entre nós, um dia Pense em mim nas suas lutas,

Estou numa maravilhosa morada onde não existe a morte Onde, juntos, viveremos no clima puro e intenso.

Todos juntos à fonte inesgotável da alegria e do amor.

Se você me ama ou ama alguém querido que já se foi, não chore mais.

Todos nós estamos em paz.

ÁTILA NUNES NETO (1973-2012)



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07/03/2012

O POVO MAIA II






A civilização Maia, muito provavelmente, foi a mais antiga das civilizações pré-colombianas, embora jamais tenha atingido o nível urbano e imperial dos Astecas e Incas. Surgiram no século IV d.C. na Península de Yucatán, onde hoje ficam o México, Belize e Guatemala.

Jamais formaram um império, embora possuíssem uma cultura comum. Sempre se organizaram em cidades-estados, porém, na época da conquista espanhola, encontravam-se quase na decadência total.



A sociedade Maia era rigidamente dividida em três classes às quais o indivíduo pertencia desde o nascimento.

Primeiro, a família real, incluindo ocupantes dos principais postos do governo e os comerciantes; em seguida, servidores do Estado, como dirigentes das cerimônias e responsáveis pela defesa e cobrança de impostos, na camada mais baixa, os braçais e os agricultores.




No período de apogeu da civilização Maia, é muito provável que as cidades tivessem sido sociedades teocráticas e pacíficas. As guerras que ocorriam, na maioria delas, eram para obterem prisioneiros para serem sacrificados aos deuses.


Na religião os Maias cultuavam divindades ligados à caça, à agricultura e os astros. Acreditavam que o destino do homem era regido pelos deuses, e para eles ofereciam alimentos, sacrifícios humanos e animais.


A base econômica dos Maias era a agricultura, principalmente do milho (três espécies), praticada com a ajuda da irrigação, utilizando técnicas rudimentares e itinerantes, o que contribuiu para a destruição de florestas tropicais nas regiões onde habitavam. Desenvolveram também atividades comerciais, cuja classe dos comerciantes gozava de grandes privilégios.


Os Maias cultivavam o milho, algodão, tomate, cacau, batata e frutas. Domesticaram o peru e a abelha que serviam para enriquecer sua dieta, à qual somavam também a caça e a pesca.

É importante observar que por serem os recursos naturais escassos, não lhes garantindo o necessário, a tendência foi desenvolverem técnicas agrícolas, como terraços, para vencer a erosão e a drenagem dos pântanos para se obter condições adequadas ao plantio.



Ao lado desses progressos técnicos, observamos que o cultivo de milho se prendia ao uso das queimadas. Durante os meses da seca, limpavam o terreno, deixando apenas as árvores mais frondosas. Em seguida, ateavam fogo para limpá-lo deixando o campo em condições de ser semeado. Com um bastão faziam buracos onde se colocavam as sementes.


O comércio era dinamizado com produtos como o jade, plumas, tecidos, cerâmicas, mel, cacau e escravos, através das estradas ou de canoas.


Quanto a língua falada, são inúmeros os dialetos falados na área correspondente ao Yucatàn, Guatemala, El Salvador e Belize. De qualquer forma, os lingüistas dividem-nos em dois grandes ramos: o huasteca e o maia. Este segundo ramo se subdividiu em outras línguas (como o Chol, Chintal, Mopan, etc).


Em seus monumentos deixaram uma série de inscrições que até hoje não foram decifradas. Infelizmente muitos documentos maias foram destruídos chegando até nós apenas três livros. São eles o Códice de Dresde, o Códice de Madri e o Códice de Paris.


Os livros eram confeccionados em uma única folha que era dobrada como uma sanfona. O papel era feito com uma fibra vegetal coberta por uma fina camada de cal. O conteúdo desses livros são de natureza calendárica e ritual, servindo para adivinhações.

Os ancestrais do povo maia foram, provavelmente, grupos mongóis que atravessaram uma faixa de terra entre a Sibéria e o Alasca, onde hoje é o estreito de Bering, há cerca de 15.000 anos.


by PBworks
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29/02/2012

MAIAS: OS "CAÇADORES DE ESTRELAS"






Quando se fala na civilização maia, pensa-se imediatamente em seus conhecimentos nos campos da arte, arquitetura, escrita e, sobretudo, da matemática e da astronomia, pois foi justamente nos dois últimos domínios que seu gênio se exprimiu de forma mais assombrosa.

Durante a época clássica (300-900), os astrônomos maias estabeleceram uma medida do tempo e calendários mais precisos que qualquer outro disponível no mundo até então.

Sem instrumentos de medição do tempo, eles conseguiram calcular os movimentos da Lua, dos planetas do sistema solar e das estrelas fixas, cálculos hoje efetuados com ajuda de telescópios eletrônicos e computadores. Sua inteligência inventou o sistema de contagem longa, de 373.444 anos.

Isso lhes dava a perspectiva do ilimitado, mas também possibilitava determinar o ciclo do planeta Vênus, que eles calculavam ser de 584 dias - os cálculos modernos fixam a duração em 583,92 dias.

Mas quem eram esses astrônomos e quais as suas motivações? Como demonstram diversos glifos (elementos da escrita) gravados nas pirâmides, assim como códices (textos escritos em materiais diversos), a observação dos corpos celestes era realizada, provavelmente, por "sacerdotes-astrônomos" da elite religiosa.

Segundo o bispo espanhol Diego de Landa, que em 1549 viajou para a península do Yucatán, berço dos maias, os "senhores-serpentes" se ocupavam da ciência, da astronomia, dos calendários, da matemática, escreviam suas observações em códices, aconselhavam governantes e presidiam os ritos públicos.

Entre eles, achavam-se os ahaukin, sacerdotes do Sol, que também podiam se ocupar da astronomia.

Havia ainda os chahom, que queimavam o copal (tipo de incenso feito de resina vegetal). Por fim, os nacomes eram encarregados dos sacrifícios rituais aos deuses.

Por surpreendente que possa parecer, todas essas descobertas astronômicas eram o fruto da mera observação visual. Ao longo de várias gerações, a atividade do firmamento foi registrada cotidianamente por sacerdotes.

Souberam, assim, que cometa ou meteorito passou tal dia; em que momento houve um eclipse; onde se achava a constelação de Órion durante o solstício de verão; quando Vênus ficou visível.

Uma coisa é certa: eles eram dotados de muita inteligência e, especialmente, paciência, como se pode ler em uma passagem a respeito da criação do mundo tal como a relata o Popol-Vuh (Livro do conselho ou Livro da comunidade):

"Em Tulan Zuiva, aonde chegaram, eles observaram um jejum perpétuo enquanto esperavam a chegada do nascer do Sol.

Revezavam-se para observar a grande estrela Noh Ek, também denominada Icoquih, a que surge antes do Sol quando este está prestes a nascer".

Em parte, essas observações eram favorecidas pelo clima de Yucatán: seco, com um céu noturno límpido. Além disso, a topografia da região ajudava: uma terra plana, sem nada para obstruir a visão.

Pelos códices e glifos gravados nos templos, sabe-se que os maias utilizavam um instrumento de visão elementar: varas cruzadas.

Foram descobertos observatórios em numerosos sítios arqueológicos onde estão hoje o México e a Guatemala: Chichén-Itzá, Mayapán, Tulum, Palenque, Uaxactun, Tikal e El Mirador.

O "caracol" da cidade de Chichén-Itzá, assim denominado devido à escada em espiral, é o mais representativo observatório maia, com seus terraços recuados, suas aberturas em ângulos e sua "câmara alta" com seteiras de observação.

Pesquisas demonstraram que a primeira abertura de observação fornece a direção sul; a segunda dá para o ocaso da Lua no dia 21 de março; a terceira indica a direção oeste e o pôr-do-sol nos equinócios (quando o dia tem a mesma duração da noite) de 21 de março e 21 de setembro - também é possível observar o poente solar no solstício de verão, em 21 de junho.

O sítio de Tulum também possui um observatório chamado “caracol”. Lá se encontraram seteiras astronômicas similares às de Chichén-Itzá.

Tulum é uma palavra que significa “muralhas”, mas outrora a cidade, em frente ao mar do Caribe, se chamava Zama, que quer dizer alvorada ou aurora.

Essa planta de orientação era indispensável aos astrônomos para realizar o cômputo do tempo e estabelecer calendários. Mais recentemente, os pesquisadores presumiram que, nesse mesmo lugar, os maias observavam o nascer de Vênus.

Pode-se constatar que, na maioria dos sítios cerimoniais, nada foi construído ao acaso: todas as pirâmides e templos são orientados para seguir o percurso dos astros. Assim, certas pirâmides se tornam “calendários de pedra”.

O exemplo de Chichén-Itzá é flagrante. No grande sítio cerimonial encontra-se a pirâmide de El Castillo ou Templo de Kukulcán.

Têm quatro lados, cada qual com um a escada de 91 degraus. Ao se multiplicar 91 por 4, tem-se 364. Soma-se 1, correspondente à plataforma de acesso ao templo, e se obtêm os 365 dias do calendário solar.

Outro fenômeno único da mesma pirâmide: no momento dos equinócios de primavera e de outono, o Sol projeta sete sombras triangulares no lado esquerdo dela, formando o corpo de uma serpente, que se une à cabeça esculpida no pé da escada.

Essa construção é interpretada pelos arqueólogos como referência ao deus Kukulcán, a “serpente emplumada”.

A paixão dos maias pela astronomia mostra sua obsessão pelas idéias de morte e renascimento. Queriam saber tudo de seu destino.

Estabeleceram um calendário preciso essencialmente com fins astrológicos. Pode-se falar em uma verdadeira “astrologia divinatória”. Os maias liam o futuro nas constelações.

Assim, tendo o céu como guia, certas datas eram consideradas mais favoráveis que outras para efetuar um ritual, entronizarem um rei ou organizar uma batalha.

Outras, ao contrário, eram tidas como nefastas. Daí a necessidade de estabelecer um calendário “divinatório” preciso. Alguns glifos fazem referência a esse vínculo entre a posição dos astros e um fato importante.

Outro motivo para estudar o firmamento era o desejo dos mais de dominar as forças da natureza. As necessidades da agricultura estimularam as observações astronômicas e, portanto, meteorológicas.

Era necessário prever os períodos de chuva, a fim de dispor a cultura de iúca, mandioca, jacatupé, feijão e milho.

O primeiro calendário desenvolvido foi o lunar. Depois se criou o solar e, por fim, a “contagem longa”. Enquanto os sistemas que registravam a passagem dos dias, semanas e meses serviam para regular a vida cotidiana e a religiosa, a contagem longa marcava os momentos importantes da história.

Baseando-se principalmente na observação do Sol, da Lua e de Vênus, os maias criariam três calendários complementares:
Um ritual e divinatório, de 13 meses de 20 dias, chamado Tzolkin, de caráter cerimonial ou premonitório (os sacerdotes o utilizavam para saber se um dia era auspicioso ou nefasto);
Um solar de 18 meses de 20 dias, chamado Haab, com 360 dias mais cinco dias nefastos;
Um atrelado ao ano venusiano, de 584 dias.

O sistema da contagem longa consistia em medir o tempo a partir de uma data inicial, o ano de 3114 a.C. do nosso calendário. Essa data está associada, segundo a mitologia maia, à criação do Universo e ao quarto sol, o 4 Ahau.

A era do quarto sol gerou o homem a partir do milho. A data, 3114 a.C., correspondia ao nascimento de um casal primordial, conforme uma inscrição gravada em uma parede do Templo da Cruz Folhada, em Palenque.

*Texto de Martine Pedron, com redação de Márcia Ledur. 

http://www.luzdaserra.com.br/1928/maias-os-cacadores-de-estrelas/

Jurema, a força de uma cultura brasileira.








Ela parece ser uma velha conhecida, a JUREMA, a linda cabocla filha valente de Tupinambá que sempre esteve no nosso imaginário com a imagem nos terreiros da Umbanda. Mas ao se aprofundar percebemos que a Jurema é um simbolo da resistencia indígena.


O Celophane Cultural resgatando as origens indígenas da região Norte e Nordeste com a tradição mágica e religiosa da Jurema Sagrada  até chegar aos cultos afros que foram (como tudo no Brasil) se misturando na Umbanda e Catimbó onde a Cabocla e a árvore Jurema são uma entidade cultural muito forte para nós.



Gravura Cabocla Jurema 
- fonte: http://www.maze.kinghost.net/



O Culto á arvore sagrada


O culto da Jurema está para a Paraíba, assim como o de Iroko está para a Bahia. Esta arvore tipicamente Nordestina, era venerada pelos índios potiguares e tabajaras, da Paraíba, muitos séculos antes da descoberta Brasil. Em Pernambuco, existe um município cujo nome é Jurema devido a grande quantidade destas árvores que ali se encontra. 


A jurema, depois de crescida, é uma frondosa árvore que vive mais de 200 anos. Todas as partes dessa árvore são aproveitadas: a raiz, a casca, as folhas e as sementes, utilizadas em banhos de limpeza, infusões, ungüentos, bebidas e para outros fins ritualísticos. Os devotos iniciados nos rituais do culto são chamados de “Juremeiros”.





Jurema Sagrada 
- fonte: http://www.paisagismodigital.com/Noticias/default.aspx?CodNot=161



Foi na cidade de Alhandra, município a poucos quilômetros de João Pessoa, que esse culto, na forma do Catimbó alcançou fama. A Jurema já era cultuada na antiguidade por pelo menos dois grandes grupos indígenas, o dos tupis e o dos cariris também chamados de tapuias. 


Os tupis se dividiam em tabajaras e potiguares, que eram inimigos entre si. Na época da fundação da Paraíba, os tabajaras formavam um grupo de aproximadamente cinco mil índios. Eles ocupavam o litoral e fundaram as aldeias Alhandra e a de Taquara.




O Vinho da Jurema


Conforme os seguidores, o Ajucá, também chamado “Anjucá”, ou vinho da jurema é o fogo líquido que traz luz e calor ao espírito dos juremeiros durante os rituais da ordem.


Indígenas que habitam o Nordeste brasileiro preparam uma bebida especial, sagrada, utilizada em rituais mágico-religiosos, bebida feita com partes da planta, acrescida de outros elementos de origem vegetal. Tal bebida favorece a obtenção do transe místico durante rituais que no século XVII é XVIII eram chamados “adjunto de jurema” (uma dança coletiva Tupi, segundo Luís da Câmara Cascudo, no livro Meleagro).



 
O Catimbó-Jurema




Religião híbrida nascida do cruzamento de crenças e cultos indígenas, com religiosidades africanas e européias – também faz uso de bebida sagrada chamada “Jurema”, entretanto, o modo de preparar essa bebida varia, tanto de tribo para tribo, quanto entre as casas de Catimbó-Jurema.





Cerimônia do catimbó
fotografada pela Missão de Pesquisas Folclóricas 
conduzida por Mário de Andrade em 1938.



Catimbo Abre caminho por JUlio de Paula


Caximbo, maracá, água benta e terço na mão. Tira-mandinga, despacho, abre-caminho, jurema, benzeção, cura. O mestre da mesa e o mestre invisível.

Catimbó é o nome genérico para práticas religiosas que incluem elementos da pajelança indígena, do catolicismo, da antiga feitiçaria europeia, do espiritismo.


O protocolo catimbozeiro é democrático e o canto ritual é o fio condutor das cerimônias. Mário de Andrade teve o corpo fechado no Catimbó de Dona Plastina, em Natal, na última sexta-feira do ano de 1928. Na ocasião, recolheu material musical que entrou pra história.


Nesta audição, o catimbó abre caminho para outras encantarias e tradições religiosas (e musicais) mixadas pela sabedoria popular e (re)mixadas por Renata Rosa, A Barca, Siba, Mestre Ambrósio, Jaraguá-Mulungu, entre outros. Santos e Mestres que fazem e desfazem.


Logo após sua cerimônia no catimbó de Dona Plastina, Mário de Andrade anota em seus diários:
“Não escorreguei no areão, não quebrei a perna, nenhum cachorro latiu para mim, nenhum cangaceiro existia em Natal, porque o meu corpo, pela força musical dos deuses estava fechado pra sempre contra as injúrias dos ares, da terra, de debaixo da terra e das águas do mar. Preço: 30 mil réis.”
Catimbó!




Candomblé de Caboclo


É todo candomblé que além do culto aos Orixás, Voduns ou Nkisis, cultua também espíritos ameríndios chamados de entidades, catiços ou caboclos boiadeiros, gentileiros. Inicialmente na Bahia os Candomblés não tradicionais, eram na maioria caboclos, que é um misto de Keto, Jeje e Angola.


O caboclo exerce um papel fundamental no relacionamento da comunidade afro brasileira, pois fala o idioma português, papel que os orixás só fazem no idioma africano, chamado Yoruba, assim conquistando a popularidade dos crentes, que não entendem ou fala a língua dos orixás.


 São encarregados de trazer mensagens dos seus ancestrais, principalmente de entes queridos desencarnados há pouco tempo, aconselha os desesperados, indicando sempre um novo caminho, indica banhos de folha sagrada e pequenas oferendas para resoluções dos seus problemas.





Comida arriada para o Caboclo - fonte Wikipédia




A Lenda – por Frank Oliveira


O sol girou mais uma vez ao redor da Terra e quando os raios da manhã tocaram a sua testa, a cabocla gritou:
- Sou Juremaaaaaaa!!!
E pulou do galho mais alto da árvore gigante e pareceu voar por entre os passaros e outros seres alados da floresta; mergulhando no rio profundo, de onde emergiu, nadando com os botos que entendiam o seu canto.


A Cabocla, foi encontrada aos pés do arbusto da planta encantada que lhe deu o nome, e cresceu forte, bonita, com a formosura da noite e a firmeza do dia. Corajosa, a cabocla tornou-se a primeira guerreira mulher da tribo, pois a sua força e agilidade no manejo das armas e na ciência da mata, se tornara uma lenda por todo o continente; onde contadores de estórias, aos pés da fogueira, falavam da india da pena dourada, que era a própria Mãe Divina encarnada.


Nada causava medo na cabocla, até o dia em que ela encontrou o seu maior adversário: o amor. Jurema se apaixonou por um caboclo chamado Huascar, de uma tribo inimiga chamada Filhos do Sol, e que fora preso numa batalha.


Os dias se passaram e o amor aumentava, pois o pior de amar não é amar sozinho e sim ser amado em retorno, pois exige do amado, uma ação em prol do amor.


Jurema que aprendera a resistir ao canto do boto, ao veneno da cascavel e da armadeira, já resistira bravamente a centenas de emboscadas e que sentia o cheiro à distância de ciladas, não conseguiu resistir ao amor que fluia do seu peito por aquele guerreiro.


 Observando o caboclo preso, ela viu nos olhos dele, as mil vidas que eles passaram juntos, viu seus filhos, o amor que os unia além da carne e percebeu que não foi por acaso, que ele fora o unico caboclo capturado vivo, e decidiu liberta-lo mesmo sabendo que seria expulsa da tribo.


Na fuga, seu próprio povo a perseguiu, e em meio a chuva de flechas voando na direção do caboclo fugitivo, foi jurema que caiu salvando seu amado  recebendo a ponta da morte que era para ele, no seu proprio peito.




A Resistência indígena representada pela planta


Quando os portugueses chegaram em 1500 para “invadir” o Brasil, a resistência dos povos indígenas no Nordeste, não permitiu que a Jurema, enquanto árvore sagrada, fosse conhecida, em seus usos e signicados, não sendo assim documentada pelos colonizadores e estrangeiros.


Numa segunda fase histórica a Jurema representa um elemento ritual ligado à própria resistência armada dos povos indígenas ou à guerra empreendida contra inimigos inclusive em suas alianças.


Ainda nesta fase na qual a Jurema começa a ser documentada, seu significado ainda não é entendido mas seu uso já é motivo de repressão, prisão e morte de índios. Na medida em que avança o rolo compressor da colonização, processo de genocídio ou tentativa de dominação, não só política e econômica como também cultural, aparece uma nova forma de resistência: a Jurema assume um lugar central na religiosidade popular, não só indígena regional – Catimbó.


Diante do componente negro a Jurema garante seu reconhecimento, como entidade (espírito, divindade, cabocla) autóctone, “dona da terra”. A Jurema é absorvida pelos cultos afro-brasileiros, tendo surgido inclusive os “Candomblés de Caboclos”.


Nas últimas décadas é no contexto da Umbanda, religião nascente e em pleno processo de sistematização e de expansão nacional, que a Jurema é integrada na cosmologia sagrada, no panteão da religão nacional. Constatamos em vários estados nordestinos as “Linhas da Jurema”, dentre as linhagens e filiações religiosas da Umbanda.


Nestas últimas décadas, e paralelo ao movimento religioso, propriamente brasileiro, a Jurema continua como “núcleo duro”, segredo, bandeira ou símbolo, para os remanescentes indígenas, em pleno “movimento étnico”, num contexto de defesa de seus direitos humanos, de suas áreas de reservas e de sua autonomia e reconhecimento no pluralismo da sociedade e das culturas brasileiras.




Da pré-história à história


Se bem que dispomos de fontes documentais sobre esta planta, já do século XVI (3), Câmara Cascudo(4) refere-se a um primeiro registro oficial – registro de óbito do índio Antônio, da cidade de Natal (RGN), de 2/6/1758 : “Sabia-se que este estava preso por razões do sumário que se fez contra os índios de Mopibu, os quais fizeram adjunto de jurema, que se diz supersticioso”.


Ainda do século XVII e XVIII, registros disponíveis dão conta que a Jurema, enquanto vinho alucinógeno, foi também usada na região amazônica. Além de movimentos migratórios, como o movimento messiânico de época cabralina dos guaranis em busca da terra sem mal – Lima apela também para o envio de índios juremeiros do Nordeste para combaterem os invasores franceses no Maranhão, como hipótese explicativa da expansão deste uso sagrado da Jurema, para além do Nordeste.


Constatamos por um lado que o uso primordial e cerimonial da Jurema sagrada passou desapercebido ou não pode ser observado e descrito por colonialistas viajantes, naturalistas e outros estudiosos nestas terras, numa primeira fase considerada diabólica, “mágica” ou bruxaria pelos colonizadores católicos ou mesmo pelos inquisidores, tudo o que fizesse parte do sistema médico-religioso autóctone, parece entretanto que a Jurema foi tolerada e aceita, quando canalizada pela lógica da guerra de portugueses contra franceses, no Brasil colonial.



A Jurema na Literatura


Na literatura o suco da jurema aparece no Romance/poema  Iracema de José de Alencar. É descrito como bebida de cor esverdeada, que deixavam os índios em estado de transe, propiciando-lhes sonhos agradáveis. Iracema era filha do pajé, guardiã do suco da jurema. Por isso deveria manter-se virgem, mas sua vida muda com a chegada de Martim, um homem branco, que chegara como convidado à sua casa.





Iracema - 1884 - de Jose Maria de Medeiros
 - Inspirado no romanec
-poema de Jose de Alencar



O romance ocorre no interior e litoral nordestino (terra do autor) e explora a rivalidade tribal entre os índios tabajaras (da tribo de Iracema) e os pitiguaras (referência aos potiguaras do qual ainda existem remanescentes), que disputavam territórios litoral e adversários dos tabajaras.


O autor apesar de descrever alguns costumes indígenas, ameniza a violência do processo de aculturação descrito além de Iracema nos seus outros romaces indianistas “Ubirajara” (1870), e “O Guarani” (1857) e não fornece um relato comparável as descrições etnográficas. Contudo, diante da escassez de fontes sobre os índios do nordeste do Brasil, é uma importante referência para reconstituição dos rituais e mitos destruídos pela aculturação juntamente com seu romance regionalista “O Sertanejo” (1875).



A Jurema de Mauricio de Souza


A Jurema é uma criança indígena do Brasil, nas histórias em quadrinhos da Turma do Papa-Capim, criadas pelo desenhista Mauricio de Sousa.


Jurema representa a figura feminina dos curumins, que é como se chamam as crianças índias. Apesar de ser ainda bastante pequena para namorar, tem com Papa-Capim uma afinidade especial, em muitas histórias demonstrando mesmo sentir ciúmes dele. Muitas vezes a menina manda o Papa-Capim ir atrás da caça e pesca (que afinal é a principal atividade indígena), para ela comprovar que Papa-Capim, não seja medroso, e sim valente.

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Fontes:
Jurema : da festa à guerra, de ontem e de hoje -  José Maria Tavares de Andrade 
A Lenda da JUrema – Frank Oliveira – Recanto das letras
ESta matéria é em homenagem á amiga Monica, devota e pesquisadora de Jurema.
Ela deixou o mundo dos Mortais e está nos olhando ao lado da Cabocla guerreira.
Pra voce com carinho