.OKEY CABOCLO!

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OKEY CABOCLO!

18/02/2012

13/02/2012

AUTÊNTICOS EM 1500, HOJE OU EM 2154?

É comum jornais, filmes e comerciais de TV suporem que os índios são (ou deveriam ser) iguais àqueles descritos pelos primeiros cronistas, inteiramente exteriores ao universo ocidental. Nessa representação, o tempo transcorreu de modo absolutamente diverso para “brancos” e “índios”. Uns, os não indígenas, estão situados na História e se caracterizam pela variabilidade, mudança e complexidade. Os outros, os indígenas, são como estátuas de pedra, que apenas podem apresentar-se como idênticas ao que antes (supostamente) eram.

Recusar ao índio a História e o exercício da própria voz, imaginando-o apenas antes da chegada dos brancos, é um expediente útil para silenciar sobre o violento processo de colonização, propiciando uma autoanistia aos colonizadores. É essa categoria redonda, inteiramente infensa à História, plena de seduções e lisa de culpas, que o senso comum repete e consagra incessantemente. Em estudos anteriores, eu apontei um artifício narrativo que chamei de “o efeito túnel do tempo”. O artifício garantia a qualquer não índio, como em um passe de mágica, uma flagrante superioridade em relação a qualquer indígena. É também com base nisso que a tutela, apesar de autoritária e etnocêntrica, veio a ser simploriamente legitimada como instituto necessário e até filantrópico.

Tal idéia está muito viva nas mais variadas manifestações discursivas dos brasileiros: artes, literatura, chiste e linguagem cotidiana. Os índios seriam algo apenas relativo ao passado colonial do Brasil, havendo uma enorme e generalizada dificuldade em compreender os índios atuais.

O reconhecimento se limita a faixas da Amazônia, onde ainda haveria grupos isolados e arredios (“índios verdadeiros”). Os demais são ditos apenas “remanescentes”, índios “misturados” e, no limite, “falsos índios”. Pretende-se instituir uma polaridade entre as culturas indígenas “intocadas” (seriam as autênticas) e aquelas afetadas por “processos de aculturação” (seriam inautênticas). Partindo daí, setores da administração pública colocam em segundo plano as demandas de “índios” no Nordeste, seja omitindo se face ao reconhecimento de suas terras, seja criminalizando suas lideranças e enquadrando- as em um regime carcerário próprio de praticantes de crimes hediondos.

Os direitos indígenas, tais como definidos na Constituição de 1988 e na Convenção 169 (acolhida no Brasil em 2003), não decorrem, porém, de uma condição de pureza cultural a ser comprovada nos índios e coletividades indígenas atuais, mas sim do reconhecimento pelo estado de sua condição de descendentes da população autóctone. Trata-se de um mecanismo compensatório pela expropriação territorial, pelo extermínio de incontáveis etnias e pela perda de uma significativa parcela de seu patrimônio cultural.

Não é justificado estabelecer parâmetros arbitrários para definir o que é (ou o que deva ser) uma cultura indígena. A incorporação de rituais, crenças e práticas exógenas não necessariamente significa que aquela cultura já não seria “autenticamente indígena” ou pertencesse a “índios aculturados”. Para constituir analiticamente uma cultura, é preciso partir do que pensam, fazem e sentem os seus portadores atuais. É preciso libertar-se do efeito “túnel do tempo”, da abordagem objetificante e da relação tutelar.

Os debates sobre Belo Monte nos evidenciam essa complexidade. Ali se expressam as velhas concepções sobre os indígenas, que alimentam tanto argumentos desenvolvimentistas quanto ambiguidades do discurso tutelar. Manifesta-se também uma tensão no interior do novo paradigma, uma vez que os indígenas buscam exercer o seu protagonismo, mesmo assumindo posições temporariamente antagônicas — como no caso da aldeia Paquiçamba. Aprender a respeitar e a lidar com a contemporaneidade do indígena será um aprendizado importante para as autoridades.


Os embates ideológicos fizeram curiosamente reviver o potencial utópico da figura do índio, apropriando- se agora da poderosa máquina de fabricação de mitos que é o cinema e remetendo-os ao futuro. A retórica dos ecologistas estabeleceu um paralelo entre os Na’vi e os indígenas atuais da região, visando a apontar os riscos para o ecossistema amazônico e mesmo planetário. A disputa pela autenticidade remete agora a 2154!

Texto de João Pacheco de Oliveira

02/02/2012

MENSAGEM DE UM CABOCLO MIRIM







A Grande Chance


Por onde passava percebia a aflição e grande ansiedade. Não era por menos, pois chegara o grande dia, onde outra oportunidade jamais teria.

Então fui chamado no local onde se reuniria os mais elevados seres do Astral. E a ordem foi ditada:


- Tem o direito em escolher uma família e um lar na crosta terrestre onde se juntará a outros. E terá a chance, em provar e queimar todos os negativos, para continuar sua evolução.

Logo a jovem com dons raramente vistos, recebe o que para mim não teria ao que se comparar.

Seria mãe, pela primeira vez em sua passagem terrena. Mergulhei em alegria, pois teria uma matéria a reencarnar.

Os dias passaram, a ansiedade novamente tomava conta do meu ser.

E como mágica um enorme túnel vi, por onde comecei minha importante jornada. Logo à frente a luz irradiava, ofuscando meus olhos. Não me importava, pois o pensamento era a certeza do sonho.

Quando pude enxergar não compreendi. O local em que estava parecia muito familiar.

Vi na minha frente mestres do Astral e, meio desorientado, percebi o que havia acontecido. Eu era mais uma vítima de um sonho interrompido e a ansiedade foi trocada por dor e decepção. Eu, fruto do aborto e abandono.

Fui levado novamente aos meus aposentos. O tempo agora era inimigo e a tristeza companheira. O Astral novamente me chamava para dizer que teria que continuar minha evolução.

- Será companheiro e a jovem agora terá seus dons desenvolvidos e aptos a levar a cura espiritual, alegria, harmonia e amor.

A mesma mente que roubara o direito a vida, levara sua mensagem a vontade em viver.

- Vá, pois nela esta a matéria para sua incorporação. Ela será a médium responsável por sua jornada.


E assim o fiz. Me aproximei primeiro em sonhos.

Projetava visões onde mostrava uma grande mata e, em seu meio, lindos rios. Logo enviei energias em seus centros nervosos até chegar a sonhada incorporação.

Esse seria meu objetivo. Mas sem entender novamente fui ignorado, negado, não aceito.

Hoje me encontro no meio dos meus sonhos. Estou sempre na imensa mata do conhecimento, entre os rios amorosos, onde me sinto acolhido a espera de médiuns que saibam que VIVER NADA MAIS É DO QUE A GRANDE CHANCE.



De um caboclinho 
dedicado a Adriana, uma irmã de santo.
Ditado a Rivaldo Gomes... / 2009
http://www.paioxalapaiogum.com.br/





26/01/2012

Mistificadores de Caboclos







Que tipo de Umbanda é essa?




Oxossi é um dos grandes Orixás da Umbanda, é respeitadíssimo nos nossos templos por todos os seguidores umbandistas.


Ele é invencível em qualquer demanda espiritual, e os caboclos seus enviados, transmitem aos seguidores do culto uma força tremenda.

O caboclo assumiu em nossos templos a figura de nosso pai biológico, ou seja, aquele homem que queremos ter ao nosso lado, com seu braço sempre forte a nos amparar nos momentos mais difíceis de nossas vidas.

E esse sentimento emana de Oxossi

Na Umbanda existe o ditado “filho de Umbanda não cai” existem centenas de pontos cantados que ensinam isso, no entanto, isso vale apenas para os filhos corretos, não há como receber benefícios de um Orixá ou de seus enviados, se uma pessoa não tem boa conduta moral.

Os caboclos são espíritos puros, muito altivos e enérgicos, mas também muito simples.

Essa simplicidade, bondade e força, faz com que se afastem dos templos que tentem mudar essa imagem que deles irradia. Leia os dois relatos a seguir e depois raciocine.



Certa vez vi um terreiro na praia desenvolvendo os seus trabalhos, o terreiro chamava a atenção por ser muito decorado, muito grande em área e muito pequeno em participantes. Na corrente meia dúzia de médiuns estavam vestidos de verde, com longas capas finamente bordadas e garrafas de vinho na mão, o que já estava errado.

Em dado momento, o cacique incorporado(?) apanhou uma lança e dirigiu-se a multidão que estava em volta do terreiro assistindo ao trabalho e começou a ameaçar o povo com a lança.

Quando ví a cena comecei a rir, aquilo não era um caboclo, lá não havia caboclo algum, na realidade havia um palhaço mostrando-se ao povo a ignorância em relação as nossas práticas. Não era um caboclo e sim, um idiota mistificador.

Esse tipo de gente não pode ser chamada de umbandista; são palhaços, não são umbandistas. Deveriam na realidade cobrar ingressos para se apresentarem na praia, um palhaço de circo não faria melhor.

Mais a frente andando em meio às tendas e tomei um tremendo susto quando topei de frente com um rapaz negro, de grande estatura, sem camisa, com uma calça verde de cetim enrolada até os joelhos e com um enorme penacho verde que ia da cabeça aos pés.

O pseudocaboclo dava tremenda bronca em seu cambone, que corria atrás dele lhe pedindo desculpas. Fui atrás para ver aonde iam, algumas tendas a frente entraram em seu terreiro e lá todos os médiuns estavam vestidos da mesma forma, sem camisa, com a calça enrolada, com penachos, arcos e flechas.

Aquilo não era Umbanda, lá não haviam caboclos e aquelas pessoas que se diziam médiuns, deveriam estar no circo ou então, no hospício.

Onde estava a mente daquelas pessoas, apresentaram-se quase nus para uma reunião religiosa mostrando coisas que só existem em suas pequenas e fantasiosas mentes, aquelas pessoas desconheciam que só existe uma conduta que os caboclos adotam, a moralidade.

Se os nossos índios quando encarnados andavam nus, isso para eles era natural e moral, porém, isso não quer dizer que hoje como Guias de Umbanda adotem a mesma indumentária.

Raciocine comigo;


Imagine se uma cabocla incorporar em uma médium, essa médium deverá então permitir a incorporação seminua, com os seios e as pernas a mostra?

Dessa porcaria a Umbanda está repleta, essa gente mostra ao povo que ignora as nossas práticas, justamente o que não somos e não praticamos.

- Não somos palhaços e não somos atores!





Escrito por Pai Paulo

http://www.nuss.com.br/blog-do-pai-de-santo/106-que-tipo-de-umbanda-e-essa-mistificacoes-de-caboclos.html